A posição da Espanha no conflito entre Estados Unidos, Israel e Irão foi clara desde o início: rejeição da guerra, defesa do direito internacional e procura de uma solução diplomática
A posição da Espanha no conflito entre Estados Unidos, Israel e Irão tem sido clara desde o início: rejeição da guerra, defesa do direito internacional e procura de uma solução diplomática. O Ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol José Manuel Albares reiterou, numa longa entrevista ao jornal “El Pais”, que a linha do governo de Madrid “não é um slogan político, mas uma escolha coerente” com os princípios em que se baseia a ordem internacional contemporânea. Segundo o chefe da diplomacia espanhola, sem respeitar as regras partilhadas estabelecidas pela comunidade internacional, o mundo corre o risco de escorregar para uma situação em que a força dos mais poderosos simplesmente prevalece. Neste contexto, Albares respondeu com firmeza às críticas vindas da oposição interna, em particular do líder do Partido Popular (PP) Alberto Nunez Feijó. Este último argumentou que os direitos humanos deveriam prevalecer sobre o direito internacional, mas o ministro rejeitou esta interpretação como incorreta. Na sua opinião, os direitos humanos são parte integrante do direito internacional e dele não podem ser separados. Segundo Albares, o sistema jurídico construído após a Segunda Guerra Mundial, baseado nas Nações Unidas e nas suas convenções, representa precisamente a tentativa de “garantir que os direitos fundamentais das pessoas sejam protegidos através de normas reconhecidas por todos os Estados”.
O governo espanhol afirma, portanto, que a actual escalada militar representa uma “grave violação destes princípios” e que o uso da força, fora dos mecanismos estabelecidos pela comunidade internacional, corre o risco de desestabilizar ainda mais uma região já marcada por conflitos e tensões. Para Madrid, a prioridade deve ser a desescalada e o regresso à diplomacia, através do envolvimento de instituições internacionais e parceiros europeus. Segundo Albares, a posição de Espanha reflecte também o sentimento de “grande parte” da opinião pública, historicamente sensível à questão das guerras no Médio Oriente. O ministro rejeita a ideia de que a expressão “não à guerra” seja usada como um simples slogan político. Na sua opinião, é uma posição bastante coerente que Espanha já manifestou noutras crises internacionais recentes, como no caso do conflito em Gaza ou na decisão de reconhecer o Estado palestiniano. Ao mesmo tempo, o governo de Madrid sublinha que a sua posição pacifista não significa desvinculação das responsabilidades de segurança europeias. De facto, Espanha continua a participar nas missões de defesa e estabilidade promovidas pela União Europeia e pela NATO. Também se enquadra neste quadro o destacamento da fragata espanhola Cristóbal Colón (fragata F105) nas águas do Mediterrâneo oriental, missão que segundo o governo tem fins exclusivamente defensivos e de proteção do espaço europeu, sem qualquer envolvimento direto em operações militares contra o Irão.