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Irã, mídia: Inteligência cria unidade para roubar dados de iranianos, estrangeiros e funcionários de embaixadas

O principal objetivo do sistema cibernético é construir, através do roubo cibernético, a maior base de dados de espionagem e contraespionagem do regime.

A inteligência do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, o Pasdaran) criou uma estrutura chamada “Direção 40”, um vasto aparelho que, através do roubo de dados de cidadãos iranianos, estrangeiros e funcionários da embaixada em Teerão, monitoriza as suas atividades e relacionamentos. Isto foi relatado pela emissora de oposição “Iran International”, com sede em Londres, segundo a qual este complexo, que funciona como uma subunidade da contra-espionagem do Pasdaran (conhecida como Unidade 1500), desenvolveu uma base de dados na qual os agentes, ao inserir o nome de uma pessoa, podem aceder à extensão e profundidade das suas relações.

O arquivo informático (Kaashef) contém informações sobre cidadãos iranianos e estrangeiros como número de telefone, contactos via chamadas, SMS, redes sociais e morada residencial e, através do histórico das suas chamadas telefónicas, das suas viagens e de informações geolocalizadas dos locais visitados, é capaz de identificar outras pessoas ligadas ao principal. A rede diplomática estrangeira na capital também é objeto de atividades de inteligência. Segundo o que foi divulgado pela “Iran International”, Kaashef contém dados detalhados sobre as embaixadas em Teerão (pessoal, movimentos, números de telefone, contactos), cuja informação foi extrapolada através de ferramentas cibernéticas de origem russa.

Além disso, o sistema de inteligência analisa as interações e a proximidade física: se dois números de telefone estiverem ativos no mesmo local, o sistema reporta um possível encontro relevante para a inteligência. O principal objetivo do sistema cibernético é construir, através do roubo de computadores, a maior base de dados de espionagem e contraespionagem do regime sobre cidadãos iranianos e estrangeiros com o objetivo de: monitorizar relações, movimentos e redes de contactos pessoais através de chamadas telefónicas, geolocalizações, viagens, (inteligência social e geográfica); fornecer apoio às operações do serviço secreto; fornecer dossiês completos ao Ministério da Inteligência e à Força Quds (braço operacional estrangeiro do Pasdaran) para preparar futuras missões contra alvos considerados sensíveis.

Beatriz Marques
Beatriz Marques
Como redatora apaixonada na Rádio Miróbriga, me esforço todos os dias para contar histórias que ressoem com a nossa comunidade. Com mais de 10 anos de experiência no jornalismo, já cobri uma ampla gama de assuntos, desde questões locais até investigações aprofundadas. Meu compromisso é sempre buscar a verdade e apresentar relatos autênticos que inspirem e informem nossos ouvintes.