O número de vítimas do incêndio que devastou um bar na estância de esqui de Crans-Montana, na Suíça, na passagem de ano subiu para 40. Entre os 119 feridos e as dezenas de desaparecidos, há também dois cidadãos portugueses, ambos emigrados para o país suíço. Isto foi confirmado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros português, que acompanha de perto a evolução da situação em conjunto com as autoridades suíças.
Segundo informações oficiais, uma portuguesa está ferida e atualmente hospitalizada, enquanto outra continua desaparecida. As autoridades não excluem que o número de vítimas possa piorar nas próximas horas, à medida que prosseguem as buscas e identificação das vítimas.
Vítimas portuguesas Crans-Montan: um ferido hospitalizado em Sion
O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, disse à agência Lusa que entre os feridos está um cidadão português originário de Mirandela, na província de Bragança. A mulher foi transferida para um hospital em Sion, no cantão de Valais, mas o seu estado clínico não foi divulgado até ao momento.
As autoridades portuguesas mantêm contacto constante com a unidade de saúde e a família da mulher, aguardando novas atualizações sobre o seu estado de saúde.
Entre as vítimas em Crans-Montan: uma portuguesa continua desaparecida
Entre as pessoas de quem ainda não há notícias está uma mulher de nacionalidade portuguesa, que emigrou para a Suíça e é originária de Santa Maria da Feira, que fica na província de Aveiro. Segundo informou Emídio Sousa, neste momento não é possível estabelecer se a mulher desaparecida está entre as vítimas, entre os feridos ainda não identificados ou se a sua ausência se deve a outras circunstâncias.
“Neste caso só temos informação sobre o seu desaparecimento. Não sabemos se está entre os mortos, entre os feridos ou se não é localizável por algum outro motivo”, explicou o secretário de Estado.
Assistência aos familiares e identificação das vítimas
O Ministério dos Negócios Estrangeiros português ativou uma linha de apoio através da embaixada e consulados na Suíça, apelando a qualquer pessoa que tenha um familiar ou amigo desaparecido que contacte as autoridades. O procedimento de identificação é complexo, pois muitos feridos dão entrada no hospital sem documentos e vários corpos ainda não foram reconhecidos.
Segundo a polícia do cantão de Valais, entre as pessoas já identificadas estão 71 cidadãos suíços, 14 franceses, 11 italianos, quatro sérvios, bem como cidadãos de outras nacionalidades europeias, incluindo um português. A nacionalidade dos 14 feridos permanece atualmente desconhecida. Muitas das vítimas e feridos têm menos de 25 anos.
Investigações sobre as causas do incêndio em Crans-Montana
O incêndio começou durante uma festa de passagem de ano em um bar lotado e se transformou em tragédia poucos minutos depois da meia-noite. As chamas se espalharam rapidamente, prendendo inúmeras pessoas no porão do local. O fumo espesso e o calor intenso impossibilitaram a fuga pela escada que conduzia ao terraço.
As autoridades suíças estão investigando as causas do incêndio. De acordo com uma reconstrução inicial, também noticiada pela Associated Press, o incêndio pode ter sido iniciado por fogos de artifício acesos em garrafas de champanhe utilizadas durante as celebrações. As faíscas teriam atingido o teto do bar, favorecendo a rápida propagação das chamas. No entanto, a hipótese permanece sob investigação pelos investigadores.
Um local simbólico atingido por uma tragédia
Crans-Montana, no coração dos Alpes Suíços, é um dos destinos turísticos mais conhecidos da Europa, popular para esqui no inverno e golfe no verão. A tragédia abalou profundamente a comunidade local e internacional, em particular as comunidades emigrantes, incluindo a portuguesa, muito presente na Suíça. As autoridades apelam à cautela e ao respeito pelas vítimas e pelas suas famílias à medida que as investigações e as operações de resgate continuam.