Com o fim do mandato do conselho, instituído em abril de 2024, o primeiro-ministro Alix Didier Fils-Aime passa a ser a única autoridade política com poderes executivos no país caribenho
O conselho presidencial de transição do Haiti transferiu o poder para o primeiro-ministro, Alix Didier Fils-Aiméapós dois anos da sua criação, durante os quais não conseguiu impedir a violência desenfreada dos grupos criminosos. Com o fim do mandato do conselho, instituído em abril de 2024, Fils-Aimé torna-se a única autoridade política com poderes executivos no país caribenho. A espera agora é pelas eleições gerais, inicialmente marcadas para março, que poderão realizar-se em agosto. Mas primeiro é necessário garantir as condições mínimas de segurança, que ainda estão ausentes dado que os grupos criminosos ocupam grandes porções do território. A transferência de poder entre o conselho de nove membros e Fils-Aime, um empresário de 54 anos apoiado pelos EUA, ocorreu ontem sob medidas de segurança muito rígidas.
Poucos dias antes da dissolução do conselho, os EUA posicionaram um navio de guerra e dois barcos da Guarda Costeira nas águas perto da capital haitiana, Porto Príncipe, que os gangues controlam quase 90 por cento. As tão esperadas eleições continuam a ser adiadas na nação caribenha, abalada por uma gravíssima crise humanitária. O país mais pobre das Américas não realiza eleições desde 2016 e está sem presidente desde o assassinato de Jovenel Moise em Julho de 2021. Dados das Nações Unidas indicam que os gangues – que têm assolado grandes partes do país desde 2021, semeando pânico e cometendo assassinatos, violações, saques e raptos – controlam quase 90 por cento da capital e mataram mais de 6.000 pessoas só em 2025.