Os Beatles (barato em inglês) em Lisboa não são novidade, mas a sua resistência crescente e a sua presença mais frequente desde o início representam um fenómeno cada vez mais difícil de gerir pelos residentes. Há cinco anos, o Município de Lisboa relataram uma diminuição nas reclamações de pragas, atribuída aos esforços intensivos de controle de pragas. No entanto, este ano os operadores do “Serviço de Controlo Integrado de Pragas” reiteraram a necessidade de pessoal suficiente para lidar com um desafio tão grande.
As alterações climático-ambientais, juntamente com a engenharia genética das próprias baratas, têm contribuído para criar desequilíbrios na gestão destes insetos. As baratas desenvolvem acentuada resistência aos inseticidas em apenas algumas gerações, tornando muito mais difícil desinfestar os locais que colonizaram.
A origem das baratas
Aquelas baratas vermelhas que habitualmente vemos em Lisboa chegaram às costas portuguesas há cerca de dez anos. Navegando entre continentes em caixas de móveis ou sacos de batatas, esta barata é uma história de sucesso de dispersão por todo o mundo. São grandes, atingindo 5 cm de comprimento, e voadores. Adaptam-se facilmente a diferentes habitats, tanto dentro como fora das casas. Eles saem de banheiros, esgotos, bueiros, estão por toda parte.
O que faz de Lisboa um habitat favorável às baratas? As casas oferecem ar condicionado, umidade controlada e abundância de alimentos, condições perfeitas para sua sobrevivência. O ciclo de vida das baratas foi encurtado, elas vivem cerca de 100 dias. O aumento das temperaturas permite que eles se reproduzam de forma acelerada e aumentando assim a população desses insetos.
Baratas tornam-se cada vez mais resistentes aos inseticidas
As baratas possuem uma impressionante capacidade de sobrevivência, acentuada por mutações genéticas que as tornam resistentes aos biocidas tradicionais. Isto, combinado com a sua capacidade de se dispersarem eficazmente em novos territórios, torna a sua eliminação uma tarefa árdua e prolongada.
Professores universitários sugerem que não resolver o problema não é uma opção viável. Embora as baratas não sejam agentes patogénicos, podem transportar microrganismos que representam um sério risco para a saúde humana, incluindo disenteria, salmonela ou hepatite infecciosa.
Viver com baratas em Lisboa, como em outras grandes cidadesnão precisa ser passivo. Cada um de nós, em nossa casa, deve buscar a prevenção. Isto é essencial. Devemos manter os ambientes limpos, eliminar as fontes de alimentos acessíveis aos baratos e reduzir o acesso à água. Todos estes são dissuasores eficazes.
No entanto, as baratas desempenham um papel importante na reciclagem da matéria orgânica. Como Lisboa como a maioria das cidades não é muito naturalizada, a presença de baratas costuma ser mais acentuada por não existir uma cadeia alimentar equilibrada. Portanto, se tivermos que nos resignar a conviver com eles, é melhor focar na prevenção, criando ambientes pouco atrativos para as baratas. Ruas e praças limpas sem fácil acesso a alimentos e água. Começando por manter o lixo fora do alcance das baratas, em contentores fechados. Não há nada mais eficaz.