Segundo fontes, Washington considera inaceitável qualquer papel da Irmandade Muçulmana na futura estrutura política do Sudão e também mantém uma posição definida sobre a presença de expoentes do movimento islâmico Hamas no seio da Autoridade Palestiniana.
Fontes de inteligência do Médio Oriente relatam pressão directa dos EUA sobre a Arábia Saudita e o Egipto em relação à crise sudanesa e ao apoio ao general Abdel Fattah al Burhan. Segundo fontes, Washington considera inaceitável qualquer papel da Irmandade Muçulmana na futura estrutura política do Sudão e também mantém uma posição definida sobre a presença de expoentes do movimento islâmico Hamas no seio da Autoridade Palestiniana. O conselheiro da administração Trump para assuntos árabes e africanos, Massad Boulosreiteraria que estes grupos representam “organizações terroristas que impedem uma paz duradoura no Médio Oriente”. As mesmas fontes explicam que os Estados Unidos transmitiram aos parceiros do chamado Quarteto (Estados Unidos, Emirados Árabes Unidos, Egipto e Arábia Saudita) a necessidade de distinguir claramente entre o apoio ao Sudão e o apoio à corrente da Irmandade Muçulmana.
Washington insiste com firmeza, também tendo em vista a possível inclusão do movimento nas listas internacionais do terrorismo até ao final do ano. Uma das fontes sublinhou que os EUA consideram crucial “evitar qualquer ambiguidade sobre o papel da Irmandade Muçulmana no processo político sudanês”. Na avaliação dos EUA, o dossiê sudanês também apresenta elementos de competição estratégica com a Rússia. As fontes relatam a presença de “pegadas russas” no país, através de atividades de inteligência e operações limitadas, mas consideradas influentes, a favor de Al Burhan. A mensagem, definida como clara e inequívoca, teria sido enviada a Riad, Abu Dhabi e Cairo, no âmbito da coordenação entre os principais atores regionais envolvidos no dossiê sudanês.