Sobre nós Menções legais Contato

Financial Times: Para cruzar Ormuz durante a trégua, Irã pede um dólar por barril em criptomoedas

Cada navio deverá avisar antecipadamente a carga às autoridades de Teerã, que avaliarão o trânsito e comunicarão o valor a ser pago.

O Irã planeja impor um pedágio de um dólar por barril de petróleo aos petroleiros que transitam pelo Estreito de Ormuz durante sua trégua de duas semanas com os Estados Unidos, com pagamento exigido em criptomoedas. A informação foi noticiada pelo jornal britânico “Financial Times”, citando fontes do setor energético iraniano. Segundo um porta-voz da associação dos exportadores iranianos de petróleo, gás e produtos petroquímicos, cada navio terá de notificar previamente a carga às autoridades de Teerão, que avaliarão o trânsito e comunicarão o valor a pagar. O pagamento deve ser feito em moeda digital – como o bitcoin – para evitar o risco de rastreamento ou apreensão vinculado ao regime de sanções internacionais. Os petroleiros vazios ficariam, em vez disso, isentos do pagamento de portagens.

A medida faz parte da tentativa do Irão de manter o controlo operacional sobre o estreito mesmo durante a trégua, introduzindo um sistema de autorização prévia e monitorização do tráfico. “O Irão deve monitorizar o que entra e sai do estreito para evitar transferências de armas”, disse a fonte citada pelo jornal britânico, sublinhando que os procedimentos podem abrandar significativamente os tempos de trânsito. De acordo com esta reconstrução, os navios também seriam obrigados a transitar pela rota norte, mais perto da costa iraniana, enquanto alguns petroleiros teriam recebido comunicações rádio em inglês com o aviso de que seriam atingidos em caso de passagem sem autorização.

A proposta iraniana representa uma das principais questões nas negociações em curso para transformar a trégua num acordo mais duradouro, pois colide com a posição dos Estados Unidos e dos países do Golfo, que apelam a uma reabertura completa e segura do estreito. O presidente dos EUA, Donald Trump, indicou de facto a “reabertura imediata e segura” de Ormuz como condição central do cessar-fogo.

Segundo analistas citados pelo “Financial Times”, qualquer controlo iraniano sobre o trânsito através do Estreito poderia alterar os equilíbrios energéticos regionais e também afectar a dinâmica interna da OPEP+ (a aliança entre os países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e outros grandes produtores, incluindo a Rússia), dando a Teerão um potencial poder de influência nas exportações de países rivais. Entretanto, o tráfego continua limitado: centenas de navios aguardam no Golfo Pérsico e os operadores mantêm uma abordagem cautelosa, aguardando esclarecimentos operacionais. De acordo com estimativas da indústria, o número de trânsitos diários poderá permanecer muito abaixo dos níveis anteriores ao conflito, com tempos de resolução de atrasos incompatíveis com uma janela de duas semanas.

Beatriz Marques
Beatriz Marques
Como redatora apaixonada na Rádio Miróbriga, me esforço todos os dias para contar histórias que ressoem com a nossa comunidade. Com mais de 10 anos de experiência no jornalismo, já cobri uma ampla gama de assuntos, desde questões locais até investigações aprofundadas. Meu compromisso é sempre buscar a verdade e apresentar relatos autênticos que inspirem e informem nossos ouvintes.