Vladimir Putin garantiu que Moscou agirá “com responsabilidade” após o término do acordo
A China lamenta a expiração do novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Novo START) entre os Estados Unidos e a Rússia, que “é de grande importância para a manutenção da estabilidade estratégica global”. A afirmação foi feita pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jiandurante uma conferência de imprensa regular em Pequim. “A comunidade internacional está seriamente preocupada que a sua expiração tenha um impacto negativo no regime internacional de controlo de armas e na ordem nuclear global”, acrescentou. De acordo com uma nota do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Moscovo já não se sente vinculado ao tratado de armas nucleares que expira hoje, 5 de fevereiro. “Acreditamos que as partes no tratado já não estão vinculadas por quaisquer obrigações ou declarações simétricas ao abrigo do tratado”, destaca o comunicado.
O presidente Vladímir Putininformou o assessor diplomático Iuri Ushakovno entanto, garantiu que Moscovo agirá de forma “responsável” após o termo do acordo, assinado pelos EUA e pela Rússia em Praga, em 8 de Abril de 2010. Falando numa conferência de imprensa, Ushakov especificou que Putin se expressou assim na conversa por videoconferência que teve ontem, 4 de Fevereiro, com o seu homólogo chinês. Xi Jinpingcom quem discutiu o futuro da cooperação bilateral. Xi, segundo o relatório oferecido pela imprensa chinesa, afirmou que, “como grandes países responsáveis e membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas, a China e a Rússia têm a obrigação de promover a adesão da comunidade internacional (aos princípios) de imparcialidade e justiça” e de colaborar na manutenção da estabilidade estratégica global. “Desde o início do ano, a situação internacional tornou-se cada vez mais turbulenta”, acrescentou o Presidente chinês, apelando a Pequim e Moscovo para que trabalhem em conjunto para “defender firmemente os resultados da vitória na Segunda Guerra Mundial e salvaguardar resolutamente o sistema internacional centrado nas Nações Unidas”.
No mesmo dia, Xi conversou por telefone com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trumpque disse atribuir grande importância às relações com Washington e estar disposto a trabalhar com Trump no novo ano para orientar as relações bilaterais “através das tempestades” e garantir o seu desenvolvimento estável. Xi sublinhou que ambas as partes têm preocupações legítimas e que a China mantém os seus compromissos, reiterando que, no cumprimento dos princípios da igualdade, respeito mútuo e benefício mútuo, é possível encontrar soluções partilhadas. O Presidente chinês recordou ainda os principais acontecimentos de 2026, incluindo o lançamento do décimo quinto Plano Quinquenal Chinês, o 250º aniversário da independência dos Estados Unidos e a organização, respetivamente pela China e pelos EUA, da cimeira informal dos líderes da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (Apec) e da cimeira do G20.
Neste contexto, Xi apelou ao fortalecimento do diálogo, à gestão adequada das diferenças e à expansão da cooperação pragmática, trabalhando gradualmente para aumentar a confiança mútua e identificar uma forma correta de coexistência entre as duas grandes potências. Por último, Xi reiterou que a questão de Taiwan representa a questão mais importante nas relações entre a China e os Estados Unidos, afirmando que Taiwan é parte integrante do território chinês e que Pequim defenderá a sua soberania e integridade territorial, sem permitir qualquer forma de separatismo. Xi também pediu a Washington que lide com as vendas de armas a Taiwan com extrema cautela.
Por sua vez, segundo o relatório chinês, Trump declarou que os Estados Unidos e a China são dois grandes países e que a relação bilateral entre Washington e Pequim representa a relação mais importante do mundo. O presidente dos EUA disse ter um excelente relacionamento pessoal com Xi e tem profundo respeito por ele, sublinhando que sob a sua liderança os dois países têm visto interações positivas em áreas como o comércio e a economia. Trump saudou os sucessos da China e expressou a vontade dos Estados Unidos de reforçar a cooperação para promover novos desenvolvimentos nas relações bilaterais, acrescentando que leva em consideração as preocupações chinesas sobre a questão de Taiwan e quer manter um diálogo constante para garantir o desenvolvimento estável dos laços sino-americanos durante o seu mandato.