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Este suplemento barato surpreende ao turbinar a memória de idosos, dizem cientistas

Um suplemento barato para o intestino que, de quebra, turbina a memória? Não, você não leu errado. Cientistas acabam de descobrir que a sua microbiota intestinal pode estar dando uma mãozinha inesperada para o cérebro — especialmente na terceira idade. Prepare-se para ver as fibras sob uma nova luz!

O intestino: um aliado inesperado para o cérebro envelhecido

Durante anos ouvimos falar que cuidar do coração é essencial, mas e se, para ajudar o cérebro, o segredo também estivesse embaixo do umbigo? Uma pesquisa inédita com gêmeos, publicada em março de 2024, revelou que suplementos diários de proteína e prebióticos melhoraram o desempenho em testes de memória de pessoas acima de 60 anos. Seja sincero: você já imaginou seu intestino como peça-chave para se lembrar onde deixou os óculos?

Os cientistas investigaram a relação entre nosso “segundo cérebro” — sim, há especialistas que chamam o intestino assim — e a capacidade cognitiva na velhice. O estudo realizado pelo King’s College London usou duplas de gêmeos (o Reino Unido adora um bom banco de gêmeos, diga-se de passagem), o que permitiu separar o que é efeito dos genes ou do ambiente.

Fibras funcionais: conheça os verdadeiros astros desse espetáculo

Mas afinal, que suplementos fazem essa mágica? Os protagonistas foram:

  • Inulina: fibra dietética da classe dos frutanos;
  • Frutooligossacarídeo (FOS): um carboidrato de origem vegetal, muito usado como adoçante natural de baixa caloria.

Ambos são prebióticos, ou seja, substâncias não digeríveis que estimulam as boas bactérias em nosso intestino. No estudo, cada gêmeo de uma dupla recebia um tratamento: um tomava um suplemento diário de proteína com prebiótico, o outro recebia proteína em pó com placebo. Simples, prático e sem firulas.

Após 12 semanas, já se notavam mudanças curiosas: a microbiota intestinal dos gêmeos que consumiam inulina ou FOS apresentava mais bactérias benéficas, como as Bifidobacterium. Mary Ni Lochlainn, pesquisadora do King’s College, não escondeu a empolgação: “Estamos animados ao ver essas mudanças em apenas 12 semanas. Isso abre um potencial enorme para melhorar a saúde cerebral e a memória da população idosa.”

Muito além da memória: intestino, cérebro e… quase tudo!

Não é exagero dizer que o intestino está metido em praticamente todos os setores do corpo. Além de participar do sistema imunológico, ele mantém um diálogo constante com o sistema nervoso central. E, claro, a velha máxima da ciência segue firme: quanto mais estudamos a relação entre intestino e cérebro, mais próxima ela parece ser.

A clínica Claire Steves, também do King’s College, reforça a praticidade desse achado: “Essas fibras vegetais, baratas e disponíveis sem receita, podem beneficiar muita gente, especialmente nesses tempos de orçamento apertado. E melhor: são seguras e bem toleradas.”

Um detalhe importante: a maioria dos participantes desse estudo eram mulheres. Embora os ajustes estatísticos tenham sido feitos para compensar diferenças de sexo, os cientistas reconhecem que isso pode ser uma limitação. Vale lembrar que as mulheres estão mais vulneráveis à doença de Alzheimer — e pesquisas como esta reforçam que o declínio cognitivo pode não ser apenas uma questão de “defeito no cérebro”, mas sim consequência de fatores externos também.

Prebióticos no prato: um futuro promissor?

O universo dos prebióticos e probióticos vai muito além de iogurtes coloridos na prateleira do supermercado. Alimentar a microbiota intestinal corretamente pode abrir o caminho para tratar inúmeras doenças — tanto do sistema nervoso quanto do sistema imune e, quem sabe, de vários outros “setores” do corpo.

Então, em vez de esperar esquecer o motivo de ter entrado no quarto, que tal dar um voto de confiança aos micróbios que moram em você? A ciência promete cuidar deles pode ser uma estratégia simples, barata e bastante eficaz para manter a mente afiada na idade madura. Seu intestino (e sua memória) agradecem — e não vão deixar você esquecer disso tão cedo.

Beatriz Marques
Beatriz Marques
Como redatora apaixonada na Rádio Miróbriga, me esforço todos os dias para contar histórias que ressoem com a nossa comunidade. Com mais de 10 anos de experiência no jornalismo, já cobri uma ampla gama de assuntos, desde questões locais até investigações aprofundadas. Meu compromisso é sempre buscar a verdade e apresentar relatos autênticos que inspirem e informem nossos ouvintes.