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Espanha, Sanchez: “Não haverá eleições antecipadas”

O presidente defendeu a estabilidade do atual executivo e defendeu que a complexidade parlamentar “não é um problema, mas sim uma realidade europeia” compatível com a boa governação

O Presidente do Governo espanhol, Pedro Sanchesdescartou a possibilidade de eleições antecipadas, apesar da crise que se abriu com Unidos pela Catalunha (JxCat) e o bloco parlamentar resultante. Numa entrevista concedida ao jornal “El Pais”, Sánchez defendeu a estabilidade do atual executivo e argumentou que a complexidade parlamentar “não é um problema, mas sim uma realidade europeia” compatível com a boa governação. “A única opção de governabilidade é a que existe hoje com este executivo de coligação progressista em minoria. Em sete anos demonstrámos que a complexidade e a boa governação podem andar de mãos dadas”, afirmou. O primeiro-ministro lembrou que o executivo já aprovou mais de 40 iniciativas legislativas e que “com a JxCat foram respeitados os compromissos nas matérias de plena competência”.

Relativamente às negociações com a Alemanha sobre o reconhecimento do catalão na Europa, Sánchez confirmou a existência de “um diálogo fluido e uma vontade clara de normalizar definitivamente a situação política na Catalunha”. O primeiro-ministro sublinhou que os indultos e a lei da amnistia foram “ferramentas de reconciliação” e que o governo pretende “continuar a cumprir os acordos de Bruxelas” com o partido de Carles Puigdemont. No plano político interno, Sánchez reconheceu a necessidade de maiores entendimentos com o Partido Popular (PP), mas acusou o líder conservador Alberto Nuñez Feijó “tornar a direita espanhola prisioneira da extrema direita”. O primeiro-ministro rejeitou as críticas à polarização política e reiterou que “a máquina de lama da direita e da ultradireita” visa obscurecer os resultados económicos do governo. “Espanha está a crescer, a criar empregos e a representar 40 por cento do crescimento da zona euro”, explicou.

Sánchez defendeu a presunção de inocência do procurador-geral do Estado, no centro de um processo judicial acusado de ter filtrado declarações à imprensa sobre uma investigação contra o sócio do presidente da Comunidade de Madrid, Isabel Diaz Ayusoargumentando que “a verdade acabará por prevalecer”. Sobre as investigações em andamento sobre sua esposa Begona Gomez e seu irmão David Sancheso chefe do executivo reiterou que tem “plena fé na justiça” e denunciou a “exploração política” destes casos. Sánchez confirmou então que se candidatará à reeleição em 2027, uma decisão tomada “após reflexão pessoal e familiar” e motivada pela necessidade de “consolidar as políticas social-democratas numa Europa cada vez mais orientada para a direita”.

Em relação aos escândalos envolvendo membros do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), como o ex-ministro José Luis Ábalos, Sanchez garantiu que “o partido agiu com firmeza e transparência”, reiterando que “não há financiamento irregular”, mas admitiu uma “profunda desilusão pessoal” de Ábalos, de quem “desconhecia determinada conduta”. Na frente internacional, o primeiro-ministro reiterou finalmente o compromisso de Espanha com a NATO, mas alertou que “não podemos construir um mundo armado até aos dentes”. “Precisamos de um equilíbrio entre segurança e solidariedade”, acrescentou.

A normalização das relações com o México “é uma prioridade” para Espanha, mas a diplomacia “requer uma certa discrição, disse Sánchez noutra passagem da entrevista. “Sempre deixei claro aos responsáveis ​​mexicanos que o governo espanhol, nesta longa, profunda e estreita relação histórica que temos, sempre apoiou os aspectos positivos”, observou Sánchez, segundo quem também é necessário reconhecer “os lados negativos” para compreender melhor a dinâmica bilateral e, portanto, construir relações “sobre bases muito mais sólidas”.

Beatriz Marques
Beatriz Marques
Como redatora apaixonada na Rádio Miróbriga, me esforço todos os dias para contar histórias que ressoem com a nossa comunidade. Com mais de 10 anos de experiência no jornalismo, já cobri uma ampla gama de assuntos, desde questões locais até investigações aprofundadas. Meu compromisso é sempre buscar a verdade e apresentar relatos autênticos que inspirem e informem nossos ouvintes.