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Energia, Ministro Argelino Adjal a Nova: “Cooperação com Itália rumo a uma nova fase”

Um dos dossiês centrais diz respeito ao cabo elétrico submarino Argélia-Itália: “O projeto avança a um ritmo excelente”

Um dos dossiês centrais diz respeito ao cabo eléctrico submarino Argélia-Itália. Adjal revelou que o estudo de viabilidade estará concluído em 2026 e que o projeto está “a progredir a um ritmo excelente”, com o envolvimento da Sonatrach, Sonelgaz e da italiana Eni. A interligação, explicou, tornar-se-á “uma das principais pontes energéticas do futuro entre as duas margens do Mediterrâneo”, permitindo à Europa importar eletricidade argelina, incluindo a gerada a partir de fontes renováveis. O ministro reiterou que “os parceiros italianos são parceiros confiáveis”, lembrando como a colaboração com a Eni é considerada há anos “um modelo no Mediterrâneo”. Nos próximos anos, antecipou, os projectos conjuntos entre a Sonatrach e a Eni serão alargados, não só no sector dos hidrocarbonetos mas também em iniciativas relacionadas com a descarbonização, a geração solar e a redução de emissões.

A cooperação energética entra agora numa fase qualitativamente nova, baseada em energia limpa. A Adjal confirmou a sua aposta no Corredor H2 Sul, o corredor de hidrogénio verde que ligará a produção argelina – desenvolvida através da Sonatrach, Sonelgaz e da italiana Snam – aos portos do Sul de Itália, com o objetivo de posicionar a Argélia entre os principais fornecedores de hidrogénio verde na União Europeia. O projeto está incluído entre as iniciativas de interesse comum da UE, confirmando o seu valor estratégico. Nos últimos anos, a Sonatrach e a Eni assinaram acordos que vão além do campo tradicional dos hidrocarbonetos: projetos-piloto de hidrogénio verde em campos do Sul (como Bir Rebaa Norte), centrais solares dedicadas à energia industrial, programas de eficiência energética, iniciativas de captura e armazenamento de CO2 e soluções tecnológicas para reduzir a pegada de carbono das infraestruturas.

Adjal anunciou também que a primeira sucursal internacional da Sonelgaz será criada em 2026, com o objectivo de reforçar a presença da Argélia no mercado africano e expandir a cooperação com a Europa, “em particular com a Itália”, em projectos eléctricos e renováveis. O ministro destacou ainda a vontade de integrar start-ups e empresas inovadoras no processo de modernização do setor. A estratégia energética argelina para 2030 prevê até 15 mil megawatts de capacidade renovável, a expansão das centrais solares no Sul, a modernização da rede nacional e o reforço das interligações eléctricas com a Europa através da ligação com Itália. Este é um quadro repleto de oportunidades para as empresas italianas ativas nos setores solar, de sistemas de armazenamento, de redes inteligentes, de tecnologias de hidrogénio e de infraestruturas de interligação.

Num contexto global marcado pela volatilidade e incerteza, a Argélia continua a apresentar-se como um fornecedor confiável para Roma, não só na frente do gás, mas também nos novos segmentos de energia limpa. A Itália, por seu lado, vê a cooperação com Argel como um dos pilares da sua estratégia de segurança e diversificação energética. Com o avanço do cabo eléctrico, a expansão do corredor do hidrogénio e o crescimento das energias renováveis, a Argélia e a Itália preparam-se para entrar numa fase sem precedentes de integração energética destinada a redefinir o equilíbrio do Mediterrâneo.

Beatriz Marques
Beatriz Marques
Como redatora apaixonada na Rádio Miróbriga, me esforço todos os dias para contar histórias que ressoem com a nossa comunidade. Com mais de 10 anos de experiência no jornalismo, já cobri uma ampla gama de assuntos, desde questões locais até investigações aprofundadas. Meu compromisso é sempre buscar a verdade e apresentar relatos autênticos que inspirem e informem nossos ouvintes.