Segundo noticiou ontem o jornal britânico “The Times”, o Reino Unido não concedeu autorização aos Estados Unidos para utilizar as bases de Diego Garcia e Fairford para um possível ataque ao Irão
O secretário de Relações Exteriores britânico, Yvette Cooperse reunirá hoje com o Secretário de Estado dos EUA em Washington, Marco Rubioapós mais uma mudança de posição dos Estados Unidos sobre o acordo de transferência da soberania das Ilhas Chagos para as Maurícias. O presidente dos EUA, Donald Trump, atacou o acordo apenas um dia depois do “forte apoio” expresso pelo Departamento de Estado. Segundo rumores divulgados pelos meios de comunicação britânicos, a nova reviravolta está ligada à recusa de Londres em permitir a utilização de bases militares britânicas para possíveis ataques dos EUA contra o Irão. Segundo a emissora de TV “Sky News”, Cooper pretende fazer com que o acordo volte às boas graças do presidente, enquanto Rubio poderia pressionar por uma mudança de rumo neste dossiê.
Segundo noticiou ontem o jornal britânico “The Times”, o Reino Unido não concedeu autorização aos Estados Unidos para utilizar as bases de Diego Garcia e Fairford, quartéis-generais da Força Aérea Britânica, para um possível ataque ao Irão, temendo uma violação do direito internacional. Segundo o “Times”, a potencial violação reside no facto de o direito internacional não fazer distinção entre quem realiza o ataque e quem o apoia com “consciência das circunstâncias de um ato internacionalmente reconhecido como ilícito”. Segundo o “Times”, a Casa Branca está a preparar planos detalhados, mas a utilização das bases requer o acordo prévio de Londres. Segundo o jornal, o presidente dos EUA, Donald Trump, retirou o apoio ao acordo do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, sobre a cessão das ilhas Chagos às Maurícias, após o fracasso de Londres em dar luz verde à utilização das bases militares. Os dois líderes discutiram o ultimato nuclear de Trump a Teerão num telefonema na noite de terça-feira; no dia seguinte, o presidente atacou o acordo de Chagos. A posição de Londres sobre ataques preventivos continua a ser a expressa antes da guerra no Iraque: isto é, o uso da força só é permitido em autodefesa contra um ataque real ou iminente.
Nos últimos dias, no entanto, foi relatado que os Estados Unidos e as Maurícias manterão conversações bilaterais de segurança lideradas pelo Departamento de Estado dos EUA, com a participação de várias agências federais, de 23 a 25 de Fevereiro, em Port Louis. Segundo o Departamento de Estado, a importância estratégica do arquipélago de Chagos e a utilização da base conjunta EUA-Reino Unido na ilha de Diego Garcia, considerada crucial para a segurança nacional e a estabilidade do Oceano Índico, estarão no centro das discussões. As conversações centrar-se-ão na cooperação bilateral e na implementação de medidas de segurança necessárias para garantir a sua viabilidade a longo prazo. Washington – lemos na nota – apoia a decisão do Reino Unido de avançar com o acordo de transferência do arquipélago para as Maurícias e reitera a sua intenção de concluir um acordo bilateral com Londres para garantir a continuação da utilização de estruturas militares em Chagos, para proteger a segurança dos EUA e a estabilidade regional.