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Descoberta em Jerusalém: um “portal para o inferno” deixa cientistas sem palavras

Imagine-se em um filme de aventura ou terror clássico: nas colinas próximas a Jerusalém, arqueólogos desenterram aquilo que descrevem como um verdadeiro portal para o inferno. Não é roteiro de Hollywood, mas sim o relato surpreendente da Gruta de Te’omim, um lugar onde história e mistério se entrelaçam de forma intrigante e que agora desafia a ciência e até a imaginação dos mais céticos.

Entre lendas antigas e achados reais

Aninhada nas colinas de Jerusalém, a Gruta de Te’omim carrega consigo uma história de mais de dois mil anos. O local, considerado ponto de encontro para práticas pagãs, tornou-se cenário de muitos eventos, sendo especialmente popular entre visitantes fascinados por suas galerias misteriosas, sua nascente natural e, claro, sua bagagem histórica. Não por acaso: durante a revolta de Bar Kokhba, no século II da nossa era, a gruta chegou a servir como esconderijo para rebeldes judeus.

Desde 2009, times da Universidade Hebraica de Jerusalém e da Universidade Bar-Ilan de Tel Aviv vêm escavando conjuntamente o local. O resultado dessas pesquisas? Uma autêntica coleção de artefatos: já são 120 lâmpadas a óleo intactas, além de armas, moedas, vasos e, para os mais corajosos, três crânios humanos. O interessante é que a disposição minuciosa desses objetos sugere algo muito além do acaso: tudo indica um objetivo ritualístico bem definido.

Necromancia e magia nas profundezas

De acordo com uma pesquisa publicada na Harvard Theological Review por Eitan Klein e Boaz Zissu, as evidências apontam, com a devida cautela, que cerimônias de necromancia aconteceram na Gruta de Te’omim durante a Antiguidade tardia. O local teria servido, portanto, como um verdadeiro templo necromante, ou “nekyomanteion” para quem prefere o termo grego clássico. E não é só isso: muitos dos objetos encontrados — lâmpadas a óleo, taças, vasos de cerâmica e vidro, uma cabeça de machado e punhais — estavam escondidos em fendas isoladas, quase inacessíveis.

  • Lâmpadas a óleo
  • Taças e vasos de cerâmica e vidro
  • Armas (incluindo machado e punhais)
  • Crânios humanos

Segundo o relatório, esses itens eram usados, de uma forma ou de outra, para práticas de feitiçaria e magia em cavernas consideradas possíveis portais para o submundo. O objetivo? Predizer o futuro e evocar espíritos dos mortos — a essência pura da necromancia.

O número de lâmpadas encontradas, quarenta vezes maior do que o de crânios, levou os arqueólogos a uma hipótese: os rituais consistiam na colocação das lâmpadas para invocar forças ctônicas (ou seja, ligadas ao inferno) e faziam parte de cultos que buscavam ressuscitar mortos e desvendar o que viria pela frente. Um verdadeiro thriller arqueológico.

Pois, fontes e acesso ao submundo

Mas não para por aí. O grupo de pesquisa também trouxe à tona um poço profundo, além de uma nascente que, ao longo do tempo, escavou um reservatório de pedra dentro da gruta. Essas duas estruturas — um poço e um espaço aquático subterrâneo — eram, segundo as crenças da época, acessos diretos ao inferno.

As interpretações modernas ficam até tímidas diante da ousadia do passado: para quem frequentava essas grutas, água e profundidade tornavam-se pontes para o desconhecido. Em um tempo sem GPS, nada melhor do que um poço enigmático para “navegar” entre mundos e buscar respostas do além.

Compreendendo rituais perdidos no tempo

Para os estudiosos israelenses, essas descobertas e o contexto arqueológico específico permitem entender melhor os ritos de adivinhação praticados ali. Além disso, lançam uma luz concreta sobre feitiços e práticas descritos em papiros gregos e egípcios da Antiguidade. Descobertas que, mais do que alimentar nosso fascínio pelo oculto, ajudam a compreender como o passado lidava, de maneira pragmática (e nada monótona!), com questões existenciais e o mistério da morte.

Se visitar a Gruta de Te’omim está fora dos seus planos — ou se você prefere evitar portais incômodos no seu roteiro de viagem —, fica a lição: a arqueologia sempre revela que, no fim das contas, a nossa ligação com o mundo dos mortos é bem mais literal do que gostaríamos de imaginar, ao menos para as pessoas de eras distantes. E que, não importa de onde viemos, todos buscamos entender o que nos espera do outro lado — com magia, luz de velas… ou um bom capacete de arqueólogo!

Beatriz Marques
Beatriz Marques
Como redatora apaixonada na Rádio Miróbriga, me esforço todos os dias para contar histórias que ressoem com a nossa comunidade. Com mais de 10 anos de experiência no jornalismo, já cobri uma ampla gama de assuntos, desde questões locais até investigações aprofundadas. Meu compromisso é sempre buscar a verdade e apresentar relatos autênticos que inspirem e informem nossos ouvintes.