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Concurso de cartórios, julgamento de candidatos acabam online: comentários inapropriados e votações baseadas em nomes de santos

A Codacons está avaliando as ações judiciais cabíveis a serem tomadas para obter o cancelamento do concurso, cuja prova escrita ocorreu em novembro de 2024

Um arquivo com os nomes dos candidatos ao concurso de notário – que passaram na prova escrita em novembro de 2024 – com algumas anotações dos examinadores acabou online por engano. Os comentários foram diversos: desde “graciosa”, “ela é bonita”, até comparar as candidatas a Sant’Emanuele ou Santa Caterina. Os nomes dos candidatos seriam, de fato, combinados com comentários sexistas, julgamentos e avaliações pessoais, frases sarcásticas e um misterioso sistema de classificação de candidatos baseado em nomes de santos.

“O caso do concurso notarial de novembro de 2024, com a publicação online de notas e julgamentos sexistas e desrespeitosos sobre os candidatos, é gravíssimo e mina a credibilidade de todo o procedimento”, afirma. Débora Serracchianichefe da Justiça e deputado do Partido Democrata. “O Ministério da Justiça tem a missão de anunciar o concurso e o dever de fiscalizar. Se não consegue assegurar a fiscalização ordinária de um concurso público tão delicado, como pode pensar em gerir uma reforma constitucional e os respectivos decretos de execução? Nórdico esclarecer imediatamente as responsabilidades e as medidas adotadas. Apresentaremos uma questão parlamentar: transparência, anonimato e respeito aos candidatos não são opcionais”.

A Codacons está avaliando as ações legais cabíveis a serem tomadas para obter o cancelamento do concurso. A afirmação foi feita pela associação, após a publicação no site do Conselho Nacional do Notariado de um ficheiro Excel do qual emergem elementos suspeitos que suscitam receios de violação das regras nacionais relativas a concursos. Os elementos presentes no processo – relata Codacons – levariam à presunção de violação da obrigação de anonimato que deve caracterizar as provas escritas, ao mesmo tempo que se levantaram suspeitas em muitos quadrantes de possíveis recomendações a favor de alguns candidatos através do sistema codificado ligado aos nomes dos santos. Por estes motivos, a Codacons, no interesse de todos os candidatos que participaram no concurso para notários, está a avaliar as iniciativas jurídicas a tomar, incluindo o pedido de cancelamento e repetição das provas escritas, bem como possíveis recursos a favor dos excluídos.

O que aconteceu no concurso notarial «é simplesmente inaceitável. A publicação online de opiniões e comentários sobre os candidatos não é uma coisa leviana: é um facto gravíssimo que lança uma forte sombra sobre a seriedade, imparcialidade e credibilidade de todo o procedimento». Ele declara isso Fabrício Benonivice-líder do grupo de Ação na Câmara. “O ponto central – continua – não é apenas a divulgação indevida de dados, mas o conteúdo dessas notas: expressões e avaliações que nada têm a ver com critérios objetivos e que correm o risco de pôr em causa a imparcialidade e a equidade do julgamento. Num concurso público, especialmente para o acesso a uma função tão delicada, a imparcialidade não só deve ser garantida, mas parece indiscutível. a imparcialidade e a transparência foram respeitadas e saber quais medidas imediatas se pretende tomar não pode ser suficiente: são necessários esclarecimentos oficiais e consequências concretas”, conclui Benzoni.

Beatriz Marques
Beatriz Marques
Como redatora apaixonada na Rádio Miróbriga, me esforço todos os dias para contar histórias que ressoem com a nossa comunidade. Com mais de 10 anos de experiência no jornalismo, já cobri uma ampla gama de assuntos, desde questões locais até investigações aprofundadas. Meu compromisso é sempre buscar a verdade e apresentar relatos autênticos que inspirem e informem nossos ouvintes.