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Cidadãos dos países do G7 superestimam em 20 vezes seus gastos com ajuda externa, segundo pesquisa

De acordo com o inquérito, nos Estados Unidos os inquiridos estimam que 25,4% do orçamento nacional é atribuído à cooperação internacional, enquanto a percentagem real em 2025 foi bem inferior a 1%.

Os cidadãos dos países do G7 acreditam que, em média, quase um quinto dos orçamentos nacionais é atribuído à ajuda ao desenvolvimento, uma percentagem mais de 20 vezes superior à real. É o que emerge de um inquérito encomendado pela França no âmbito da sua presidência do G7 e visto pelo jornal britânico “Financial Times” antes da publicação. De acordo com o inquérito, nos Estados Unidos, os inquiridos estimaram que 25,4 por cento do orçamento nacional foi atribuído à cooperação internacional, enquanto a percentagem real em 2025, ano em que a ajuda oficial ao desenvolvimento dos EUA caiu mais de metade em comparação com 2024, para 29 mil milhões de dólares, ficou bem abaixo de 1 por cento.

Mesmo na Europa, as estimativas continuam muito superiores à realidade: em França os entrevistados indicaram em média 14,7 por cento do orçamento, no Reino Unido 15,2 por cento, em comparação com uma percentagem real igual em ambos os casos a cerca de 1 por cento em 2025. O inquérito, realizado pelo instituto Ifop em Abril, surge depois de uma redução acentuada nos fundos de ajuda: segundo a OCDE, os principais países doadores reduziram as suas contribuições para a ajuda pública ao desenvolvimento em 2025 em 23,1 por cento em comparação com 2024, elevando-os para 174,3 mil milhões de dólares. O administrador cessante da Agência Francesa de Desenvolvimento, Rémy Riouxfalou de uma “percepção equivocada massiva” da escala real das intervenções, argumentando a necessidade de explicar melhor a dimensão real da cooperação internacional. O inquérito revela também que 64 por cento dos inquiridos acreditam que o que acontece nos países em desenvolvimento afecta as suas vidas, enquanto 49 por cento consideram a cooperação internacional um desperdício de dinheiro público.

Beatriz Marques
Beatriz Marques
Como redatora apaixonada na Rádio Miróbriga, me esforço todos os dias para contar histórias que ressoem com a nossa comunidade. Com mais de 10 anos de experiência no jornalismo, já cobri uma ampla gama de assuntos, desde questões locais até investigações aprofundadas. Meu compromisso é sempre buscar a verdade e apresentar relatos autênticos que inspirem e informem nossos ouvintes.