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China-Reino Unido: acordos sobre comércio e uísque enquanto Trump dá o alarme sobre a reaproximação com Pequim

O primeiro-ministro chinês, Li, apelou ao reforço da cooperação em áreas como a inteligência artificial, a produção avançada, a energia limpa, a economia digital e os serviços logísticos de elevado valor acrescentado.

A visita do primeiro-ministro britânico à China Keir Starmer marca uma tentativa concreta de superar a longa “idade glacial” das relações entre Londres e Pequim, com a assinatura de uma série de acordos económicos e sectoriais e o início de um diálogo político que, segundo Downing Street, colocou as relações bilaterais numa posição “mais sólida”. Depois de conhecer o presidente Xi JinpingStarmer também foi recebido pelo seu homólogo chinês Li Qiangcom os quais foram assinados acordos de cooperação nos sectores da economia, comércio, agricultura, alimentação, comunicação social, educação e regulação de mercados. Segundo Li, citado pela agência oficial “Xinhua”, a China e o Reino Unido deveriam “explorar melhor as suas vantagens complementares para expandir e melhorar o comércio bilateral”, sublinhando que o compromisso de abertura “serve os interesses comuns de ambos os lados”. O primeiro-ministro chinês também apelou ao reforço da cooperação em áreas como a inteligência artificial, a produção avançada, a energia limpa, a economia digital e os serviços logísticos de alto valor acrescentado, esperando de Londres um “ambiente de negócios justo, transparente e não discriminatório” para as empresas chinesas.

Um dos resultados económicos mais notáveis ​​da viagem foi a decisão de Pequim de reduzir os impostos sobre o whisky escocês de 10 para 5 por cento. Segundo o governo britânico, a medida poderá gerar um valor de cerca de 250 milhões de libras (288 milhões de euros) nos próximos cinco anos para os exportadores do Reino Unido. “As nossas destilarias de whisky são a joia da coroa da Escócia” comentou Starmer, afirmando que o acordo com a China, depois do acordo com a Índia, demonstra como “um compromisso internacional pragmático e concreto traz benefícios a nível interno”. Em 2024, a China era o décimo maior mercado de exportação de uísque escocês, sendo a Ásia-Pacífico a maior região em valor.

A nível político, Starmer também abriu a possibilidade de uma futura visita ao Reino Unido do presidente chinês Xi Jinping. Uma perspetiva que suscitou críticas internas, mas que o porta-voz do primeiro-ministro pretendia defender, argumentando que um “reset” das relações com Pequim é “benéfico para os cidadãos e empresas britânicas”. Starmer garantiu que Londres permanecerá “lúcida e realista” sobre as ameaças à segurança nacional representadas pela China, reiterando que a cooperação económica não ocorrerá à custa da segurança. O objectivo declarado de Downing Street é facilitar o acesso das empresas britânicas ao mercado chinês, particularmente nos sectores dos serviços, finanças, cuidados de saúde, tecnologias verdes e energia. Neste contexto também se enquadra o anúncio da AstraZeneca, que investirá 15 mil milhões de dólares na China até 2030 para expandir a produção e investigação, o maior investimento da empresa no país asiático.

Contudo, a aproximação entre Londres e Pequim não passou despercebida em Washington. O presidente dos EUA, Donald Trumpdefiniu a escolha do Reino Unido de reforçar as relações comerciais com a China como “realmente perigosa”, afirmando que “não se pode olhar para a China como a resposta”, ao mesmo tempo que chamou Xi Jinping de “um amigo meu”. De Londres, um responsável governamental respondeu que a administração norte-americana estava ciente da viagem de Starmer e dos seus objetivos, lembrando que o próprio Trump anunciou uma visita à China nos próximos meses. A este respeito, Starmer reiterou que a relação com os Estados Unidos continua a ser “uma das mais próximas” para o Reino Unido, especialmente em defesa, segurança, inteligência e comércio, citando a “visita de estado muito bem sucedida” de Trump no ano passado e as “centenas de milhares de milhões de libras de investimento” entre as duas economias. “Não vale a pena enterrar a cabeça na areia quando se trata da China”, afirmou o primeiro-ministro britânico, sublinhando que Londres pretende prosseguir uma abordagem “coerente e abrangente”, capaz de apoiar o crescimento económico sem comprometer os equilíbrios estratégicos.

Beatriz Marques
Beatriz Marques
Como redatora apaixonada na Rádio Miróbriga, me esforço todos os dias para contar histórias que ressoem com a nossa comunidade. Com mais de 10 anos de experiência no jornalismo, já cobri uma ampla gama de assuntos, desde questões locais até investigações aprofundadas. Meu compromisso é sempre buscar a verdade e apresentar relatos autênticos que inspirem e informem nossos ouvintes.