Suas propriedades em Londres e Wiltshire foram supostamente revistadas, com laptops e documentos apreendidos
Pedro Mandelsonex-ministro do Trabalho e ex-embaixador britânico em Washington, foi libertado sob fiança depois de ter sido detido ontem à tarde pela Polícia Metropolitana sob a acusação de “má conduta no exercício de cargos públicos” pelo alegado envio, em 2009, de informações confidenciais do governo ao ex-financiador Jeffrey Epsteinque morreu em 2019 e foi condenado por pedofilia e tráfico sexual.
Em comunicado, a polícia disse que Mandelson foi fotografado saindo da delegacia por volta de 1h15 (2h15 na Itália) e voltando para sua casa no norte de Londres. Suas propriedades em Londres e Wiltshire também teriam sido revistadas este mês, com laptops e documentos apreendidos.
A detenção de Peter Mandelson representa “apenas o início” de uma crise que corre o risco de esmagar não só o passado mas também o presente do Partido liderado pelo primeiro-ministro Keir Starmer. É o que lemos num editorial do jornal “The Telegraph”, segundo o qual as imagens do antigo “terceiro homem” da chamada “revolução Blairiana” – de Tony Blairantigo primeiro-ministro trabalhista -, em silêncio enquanto era conduzido num carro pela polícia, marcou simbolicamente “uma linha traçada” no âmbito do projecto político que inaugurou um “novo amanhecer” em 1997. Segundo o editorial, Westminster será dominado nos próximos meses pela questão de saber se Mandelson violou a lei ao vazar informações financeiras sensíveis a Epstein.
O jornal destaca a posição delicada de figuras-chave como o ex-primeiro-ministro Gordon Brownque em 2008 lhe concedeu um título de nobreza, trazendo-o de volta ao governo, e questiona se, em caso de julgamento, poderá ser chamado a depor. Também são feitas perguntas sobre o antigo primeiro-ministro Tony Blair e Alastair Campbell, chefe de comunicações do Novo Trabalhismo, que regressou para aconselhar Brown antes das eleições de 2010. O caso, continua o “The Telegraph”, pesa sobre a actual liderança de Keir Starmer, que após a derrota nas eleições suplementares de Hartlepool abandonou o “mantra da unidade” para se deslocar para o centro, adoptando uma nova forma de Blairismo. Nesse contexto, o distanciamento do Ministro da Saúde ganha importância Rua Wesque destacou que Mandelson nunca foi um “amigo próximo”. O espectro da queda de Mandelson, conclui o editorial, ameaça assim reabrir as fracturas internas dentro do Partido Trabalhista e pôr em causa o legado político da era Blair-Brown, exactamente quando Starmer tenta mais uma reinicialização das suas políticas.