O acordo amplia a cooperação bilateral em áreas como inteligência artificial, governança de dados, conectividade, infraestrutura digital e plataformas online
A União Europeia anunciou uma parceria digital com o Brasil que colocará o país sul-americano no pequeno grupo de parceiros estratégicos de Bruxelas no setor tecnológico. O acordo expande a cooperação bilateral em áreas como inteligência artificial, governação de dados, conectividade, infraestrutura digital e plataformas online. O anúncio foi feito durante o Rio Web Summit pelo vice-presidente executivo da Comissão Europeia para Soberania Tecnológica, Segurança e Democracia, Henna Virkkunen. Como noticia “O Globo”, o Brasil se tornará o quinto parceiro digital estratégico da União Europeia, depois do Japão, Coreia do Sul, Singapura e Canadá. A assinatura oficial do acordo está prevista para amanhã, em Brasília, durante a visita de Virkkunen, que se reunirá com o vice-presidente Geraldo Alckmin, ministros do governo federal e representantes de diversos órgãos públicos.
A iniciativa surge numa fase em que Bruxelas pretende reduzir a dependência tecnológica dos Estados Unidos e da China e reforçar a cooperação com países considerados confiáveis. Na semana passada, a Comissão Europeia apresentou um pacote de soberania tecnológica destinado a desenvolver as suas próprias capacidades em sectores estratégicos como os semicondutores, a computação em nuvem, a inteligência artificial e as infra-estruturas digitais. “Este será o nosso quinto acordo de parceria digital. Queremos aprofundar a cooperação com parceiros confiáveis, criar melhores oportunidades para as empresas de ambos os lados e fortalecer a nossa colaboração em tecnologias”, disse Virkkunen.
Segundo o gestor europeu, o acordo com o Brasil irá além do alinhamento regulatório e poderá servir de base para projetos conjuntos e futuras iniciativas de investimento. A cooperação incluirá também temas como a proteção dos menores no ambiente digital, a cibersegurança, os serviços públicos digitais interoperáveis e possíveis integrações futuras em sistemas de identidade digital e de assinatura eletrónica. Virkkunen explicou que a escolha do Brasil reflete tanto o tamanho do mercado nacional, que tem cerca de 160 milhões de usuários de Internet, quanto a convergência entre Brasília e Bruxelas em questões de governança digital. Após a assinatura do acordo, prevê-se a criação de um Conselho de Parceria Digital, cuja primeira reunião deverá realizar-se em Bruxelas, em 2027.