Se você achava que meditar só trazia paz e calmaria, prepare-se para ficar de olhos (bem) abertos: a meditação pode – sim – esconder efeitos colaterais que pouca gente conhece. Não é superstição, nem teoria conspiratória: é História, ciência e algumas estatísticas de arrepiar qualquer monge urbano. Sente-se direito, respire fundo e venha desvendar estes mistérios comigo!
A meditação: do passado ancestral aos apps modernos
A meditação não nasceu ontem, tampouco com seu aplicativo queridinho. A primeira evidência registrada desse hábito vem da Índia, há mais de 1.500 anos. O Dharmatrāta Meditation Scripture, escrito por uma comunidade budista, já descrevia sintomas como depressão e ansiedade que surgiam após longas sessões de meditação. Ou seja: nem só de ôm vivem os meditadores.
Ao longo do tempo, esse universo ganhou defensores apaixonados. Jon Kabat-Zinn, um dos principais nomes da “mindfulness”, declarou em 2015 que a prática pode transformar quem somos como indivíduos, comunidades e até como espécie! Esse entusiasmo, quase religioso, chega a contagiar ateus e agnósticos, todos acreditando que se trata de uma ferramenta infalível para aumentar paz e compaixão no mundo.
Quando o silêncio traz barulho: os efeitos colaterais escondidos
A idolatria, no entanto, tem um lado sombrio. Um estudo de 2022, feito com 953 praticantes regulares de meditação nos EUA, mostrou que mais de 10% tiveram efeitos adversos de impacto negativo significativo em sua vida cotidiana, com sintomas persistindo por pelo menos um mês. Não são números insignificantes!
Uma revisão de mais de 40 anos de pesquisas, publicada em 2020, identificou que os principais efeitos adversos são ansiedade e depressão. Outros sintomas incluem:
- Sintomas psicóticos ou delirantes
- Dissociação ou despersonalização
- Medo ou terror
Pior: esses efeitos podem atingir até quem nunca teve problemas psiquiátricos antes, inclusive pessoas com exposição apenas moderada à meditação – e podem durar muito tempo.
Lá atrás, em 1976, Arnold Lazarus, uma figura importante nas ciências comportamentais, já alertava sobre o uso indiscriminado: a meditação poderia induzir graves problemas psiquiátricos como depressão, agitação e até descompensação esquizofrênica.
Nem sempre o silêncio cura: pesquisas recentes e dilemas éticos
Se você acha que as crianças estão fora de risco, reveja seus conceitos. Um estudo entre 2016 e 2018 avaliou mais de 8.000 crianças (11-14 anos) em 84 escolas do Reino Unido. O resultado? O mindfulness não melhorou o bem-estar mental em comparação ao grupo controle e pode ter causado efeitos negativos em crianças já vulneráveis.
Aqui surge um dilema ético indiscutível: é correto vender aplicativos de mindfulness, ministrar cursos ou usar a técnica em ambientes clínicos sem avisar sobre os potenciais efeitos colaterais? Com a variedade e a frequência dos relatos negativos, a resposta tende a ser um sonoro “não”.
Além disso, os depoimentos de praticantes afetados mostram que muitos professores simplesmente não acreditam em quem relata algo ruim. O conselho padrão costuma ser: continue meditando, pois logo tudo passa. Mas, como mostram as pesquisas, nem sempre essa receita funciona! Só recentemente a ciência começou a estudar a segurança dessas práticas e ainda não há orientações claras para quem deseja se proteger. O desafio é ainda maior: a meditação mexe com estados incomuns de consciência, e nossas teorias psicológicas simplesmente não dão conta de explicar tudo o que acontece nesse terreno misterioso.
Informação: a melhor meditação
Mas calma! Nem tudo está perdido. Existem recursos confiáveis para aprender mais sobre esses efeitos adversos. Entre eles, sites produzidos por meditadores que passaram por situações difíceis, além de manuais acadêmicos com seções dedicadas a esse tema delicado.
Em 2015, o livro “Buddha Pill”, escrito com a psicóloga clínica Catherine Wikholm, dedicou um capítulo inteiro ao resumo das pesquisas sobre efeitos adversos e ganhou espaço relevante na mídia, incluindo artigo na New Scientist e documentário na BBC Radio 4.
Conclusão? Meditação pode ajudar, mas também pode atrapalhar. O segredo é informação e diálogo aberto, sem gurus cheios de respostas prontas. Antes de sentar no tapetinho, questione, leia e fale sobre o assunto!