Se você acha que meditação só traz flores, incenso e paz interior, prepare-se: a história é bem mais complexa do que parece! Apesar da imagem zen e sem contraindicações associada à prática, há séculos existem relatos – e pesquisas recentes reforçam – de que meditar também pode trazer efeitos colaterais que quase ninguém comenta. Quer saber mais? Siga comigo, respire fundo, mas não prometa manter a calma até o fim do artigo…
Uma Tradição Antiga e Seus Efeitos Surpreendentes
Muita gente imagina que problemas ligados à meditação são invenção moderna, exagero do Instagram ou apenas má vontade. Surpresa: já há mais de 1.500 anos, registros da Índia relatam efeitos adversos! O Dharmatrāta Meditation Scripture, escrito por uma comunidade budista, descreveu sintomas de depressão e ansiedade após a prática meditativa. Ou seja, desde tempos imemoriais havia quem saísse do zazen com o humor no chão.
O Que Diz a Ciência Atual?
Se você preferir dados atuais a manuscritos antigos, há estudos de sobra. Um exemplo: uma pesquisa de 2022, com 953 praticantes regulares de meditação nos EUA, mostrou que mais de 10% experimentaram efeitos colaterais negativos duradouros – sintomas que impactaram a vida por pelo menos um mês! E não pense que são episódios raros. Uma revisão de mais de 40 anos de estudos publicada em 2020 apontou os efeitos adversos mais comuns:
- Ansiedade
- Depressão
- Sintomas psicóticos ou delirantes
- Dissociação ou despersonalização
- Medo ou pânico
Importante destacar: esses problemas não aparecem só em quem já tinha questões emocionais antes. Pesquisas mostraram que mesmo pessoas sem histórico de saúde mental, e com exposição apenas moderada à meditação, podem desenvolver sintomas longos e sérios. Para Arnold Lazarus, referência em ciência comportamental, a meditação indiscriminada poderia induzir “problemas psiquiátricos sérios, como depressão, agitação e até descompensação esquizofrênica” – e ele disse isso em pleno 1976!
O Outro Lado da Moeda: O Entusiasmo e Seus Perigos
Mindfulness virou aposta de mudança global. Para Jon Kabat-Zinn, na apresentação do relatório do Parlamento do Reino Unido sobre Mindfulness, a meditação pode transformar tudo: de cidadãos a sociedades, nações e até a espécie humana. Não falta entusiasmo quase religioso, e até ateus e agnósticos que praticam mindfulness acreditam que ela pode revolucionar o mundo em direção à paz e compaixão. Que beleza! Mas será que não estamos esquecendo de mencionar a conta?
Em 2015, no livro “Buddha Pill” escrito em parceria com a psicóloga Catherine Wikholm, um capítulo inteiro resumiu pesquisas sobre efeitos nocivos da meditação – chegou até a repercutir na mídia, com matéria na New Scientist e um documentário na BBC Radio 4. Isso ajudou a jogar luz em questões ignoradas. Falando em ignorar, um estudo entre 2016 e 2018, com mais de 8.000 crianças de 11 a 14 anos em 84 escolas britânicas, mostrou que mindfulness não melhorou o bem-estar mental em relação aos colegas do grupo de controle. Na verdade, crianças já vulneráveis psicologicamente poderiam até ter sido prejudicadas.
Silêncio nos Salões: Quem Fala dos Riscos?
Surge então uma pergunta afiada: é ético vender aplicativos de mindfulness, ensinar meditação ou mesmo usá-la em clínicas sem avisar sobre os possíveis efeitos indesejados? Com o volume de provas mostrando que essas reações negativas são comuns e variadas, a resposta clara é: não.
O pior: relatos mostram que os instrutores muitas vezes não acreditam nas pessoas que confessam ter sofrido efeitos adversos. A resposta é padrão: “Continue meditando que passa”. Pronto, problema resolvido. Só que não. E para dificultar, as pesquisas sobre a prática segura da meditação só começaram muito recentemente – não há orientações claras sobre como evitar problemas. Ainda existe uma limitação maior: a meditação lida com estados de consciência bastante incomuns, e não temos teorias psicológicas bem definidas para entender esse tipo de experiência.
Mas nem tudo está perdido. Existem recursos úteis, como sites feitos por meditadores que passaram por dificuldades sérias, além de manuais acadêmicos com seções específicas sobre efeitos adversos. Pesquisar é fundamental, afinal, ninguém quer sair da busca pela iluminação carregando mais sombras do que entrou.
Antes de entrar de corpo e alma nesse universo, informe-se, leia e questione: até a serenidade pode ter pegadinhas!