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Astrônomos enxergam disco misterioso orbitando estrela fora da nossa galáxia

Prepare-se para uma viagem intergaláctica: astrônomos acabam de observar, pela primeira vez, um misterioso disco em torno de uma estrela fora da nossa galáxia!

O que há de tão especial nesse achado?

O ciclo de nascimento de uma estrela e seu sistema planetário pode parecer rotina para os entusiastas do universo, mas o que surpreende neste caso é o endereço desse fenômeno. Pela primeira vez, um disco desse tipo foi flagrado orbitando uma estrela numa galáxia completamente diferente da nossa. O cenário: a Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia anã situada a cerca de 179.000 anos-luz da Via Láctea. Uma vizinhança não tão próxima, mas, para escalas astronômicas, praticamente do outro lado da rua.

  • Estrela: recém-nascida e massiva
  • Disco: visível fora da Via Láctea
  • Localização: sistema chamado HH 1177
  • Ferramentas: telescópios ALMA e MUSE

Enquanto era senso comum imaginar que o processo de formação estelar fosse universal, os astrônomos ainda não tinham conseguido observar as nuances desse fenômeno fora do nosso quintal galáctico.

De onde surgem estrelas e discos?

Estrelas nascem de aglomerados densos de gás molecular e poeira suspensos no espaço interestelar. Quando o aglomerado atinge a densidade crítica, ele desaba sob o próprio peso gravitacional, começa a girar e puxa ainda mais material do entorno. O segredo não está em “cair de qualquer jeito” no núcleo: a matéria se organiza em um disco ao redor do equador da estrela em formação, escoando gradualmente, feito água em ralo aberto.

  • Parte desse disco não se perde e se aglutina formando os planetas, asteroides, meteoros, cometas e poeira.
  • Daí vem o plano achatado das órbitas dos planetas do nosso Sistema Solar – tudo na mesma pista de dança cósmica.
  • E nós? Estamos mais para cogumelos conscientes brotando nos restos do café da manhã solar (é, no universo sobram metáforas e compostagem).

O poderoso telescópio Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) já tinha detectado muitos desses discos na Via Láctea, em diferentes fases evolutivas – alguns até com lacunas limpíssimas, provavelmente abertas por planetas se formando enquanto orbitam. Porém, quanto mais distante o objeto, maior o desafio para enxergar detalhes, mesmo com tecnologia de ponta.

Caçando discos em terras estrangeiras (galácticas)

Anna McLeod, astrônoma da Universidade de Durham, no Reino Unido, e sua equipe decidiram procurar um disco estelar extragaláctico após dados do equipamento MUSE, no telescópio Very Large Telescope, indicarem sinais de um jato em um sistema chamado HH 1177. Para quem gosta de pistas: esses jatos poderosos são sinais clássicos de formação estelar, surgindo quando parte do material em rotação é sugado ao longo das linhas de campo magnético até os polos da estrela, sendo então ejetado ao espaço em alta velocidade.

A equipe utilizou o ALMA para buscar sinais de rotação – um efeito detectável quando o comprimento de onda da luz encurta à medida que chega até nós, e se alonga quando se afasta. Jonathan Henshaw, astrônomo da Liverpool John Moores University, explica: “A frequência da luz muda dependendo da velocidade com que o gás se move em relação a nós. É como o som de uma sirene de ambulância: mais agudo ao se aproximar, mais grave ao se afastar.” E não é que o ALMA confirmou tudo? Dados nítidos de rotação: a estrela em questão é jovem, massiva e ainda se alimenta do disco ao seu redor.

Mesmo sendo um processo comum, um detalhe se destaca: ao contrário dos discos encontrados na Via Láctea, o HH 1177 pode ser visto em comprimentos de onda ópticos. Segundo os pesquisadores, o motivo é o ambiente interestelar da Grande Nuvem de Magalhães, muito mais “clean” (com menos poeira) do que as áreas de formação de estrelas jovens e massivas da Via Láctea. Ou seja, nada de cortinas densas obscurecendo o espetáculo.

O futuro da astronomia: telescópios cada vez mais audaciosos

“Vivemos uma era de rápido avanço tecnológico em instalações astronômicas”, aponta McLeod. E dá para entender a empolgação: estudar como estrelas se formam a distâncias tão colossais, em galáxias diferentes da nossa, é realmente eletrizante.

  • A descoberta amplia nosso entendimento sobre como sistemas planetários nascem além dos limites familiares da Via Láctea.
  • O uso combinado de instrumentos de ponta permitiu ultrapassar fronteiras que antes pareciam inalcançáveis.

No fim das contas, cada disco descoberto além da nossa galáxia funciona como cartão-postal do universo, dizendo: “Ainda temos muito a explorar. Continue olhando para cima!”

Beatriz Marques
Beatriz Marques
Como redatora apaixonada na Rádio Miróbriga, me esforço todos os dias para contar histórias que ressoem com a nossa comunidade. Com mais de 10 anos de experiência no jornalismo, já cobri uma ampla gama de assuntos, desde questões locais até investigações aprofundadas. Meu compromisso é sempre buscar a verdade e apresentar relatos autênticos que inspirem e informem nossos ouvintes.