O operação e manutenção do funicular de Lisboa descarriladoconhecidos como Ascensor da Glória, são hoje o centro das atenções após a tragédia que abalou a capital portuguesa. Inaugurado em 1885 e tornando-se um dos símbolos mais emblemáticos da cidade, este funicular histórico liga a Praça dos Restauradores ao Bairro Alto ao longo da íngreme Calçada da Glória. A recente investigação sobre o descarrilamento destaca tanto os aspectos técnicos do seu sistema de tração elétrica como os seus procedimentos de manutenção, que incluem verificações periódicas e inspeções programadas.
A história do funicular de Lisboa que descarrilou
O’Ascensor da Glóriaconhecido internacionalmente como funicular da Glória, é um dos símbolos de Lisboa. Aberto em 1885 da autoria do engenheiro Raoul Mesnier du Ponsard, discípulo de Eiffel, ligou a Praça dos Restauradores ao Bairro Alto com um sistema inovador para a época: cremalheira e contrapeso de água.
Mais tarde foi movido a vapor e, a partir de 1915eletricidade, tecnologia com a qual ainda hoje funciona. As duas cabines amarelas têm capacidade para 22 lugares sentados e 20 em péconectado por um cabo que permite o movimento ao longo do Calçada da Glóriauma subida de 275 metros com inclinação de 18%. Cada viagem dura cerca de dois minutos, com cabines cruzando no meio do caminho.
Operação técnica do funicular de Lisboa descarrilado
Passemos agora à operação e manutenção do funicular de Lisboa descarrilado. O princípio de funcionamento do funicular é simples mas eficaz: as duas cabines estão ligadas por um cabo, de forma que quando uma sobe a outra desce, reduzindo o consumo de energia. A energia elétrica regula a tração, enquanto os sistemas de freios e as pistas de bitola estreita garantem a estabilidade durante o percurso.
Este mecanismo aparentemente simples é na verdade uma herança da engenharia histórica, combinando tradição e modernização. Não é por acaso que o Elevador da Glória, juntamente com os da Bica e do Lavra, é considerado um dos monumentos mais icónicos da capital portuguesa e continua a atrair milhares de turistas todos os anos.

Manutenção do funicular de Lisboa descarrilado
A manutenção do Ascensor da Glória é regulada por um protocolo preciso:
Segundo Carrisoperadora responsável, todos os protocolos exigidos foram respeitados. Após o acidente, a empresa reiterou que tem um contrato ativo de manutenção e assistência com a empresa portuguesa MNTC Serviços Técnicos de Engenharia (Principal)assinado em 2022 e renovado em 1 de setembro de 2025.
Os custos de manutenção do funicular
O contrato estipulado em 2022 previa um compromisso económico de 995.000 euros em três anos para a manutenção dos funiculares da Glória, da Bica, do Lavra e do elevador de Santa Justa.
Desta figura:
O contrato também previa reduções de até 70% nos custos nos períodos em que as usinas estivessem fora de serviço.
O debate sobre manutenção
Apesar das declarações oficiais, os sindicatos levantaram repetidamente dúvidas. Manoel Leallíder da federação Fectrans, lembrou que os trabalhadores da Carris apresentaram queixas sobre as diferenças qualitativas entre a manutenção realizada internamente e a subcontratada a empresas privadas.
Em particular, foram relatadas questões críticas relacionadas com a nível de tensão do caboum elemento crucial para a segurança do sistema. Estes avisos, combinados com a memória de um pequeno acidente anterior ocorrido em 2018 (quando uma cabine descarrilou sem causar vítimas), alimenta hoje o debate sobre a real eficácia dos protocolos de controle.