O presidente argentino ainda não se pronunciou, mas sua comitiva alude à possibilidade de que se tratem de manobras astutas para prejudicar a imagem do governo
A justiça argentina foi chamada para decidir se a divulgação das conversas “quentes” atribuídas ao presidente, Javier Milei, pode ou não representar uma ameaça à segurança nacional. Este é um áudio de supostas trocas de conteúdo altamente erótico que Milei teria tido com um de seus ex-“consultores de imagem”, Rosmery “Escuridão” Maturanaque se tornaram protagonistas do cenário virtual nacional desde quinta-feira. Mas o debate também vai além da qualidade dos temas e da “cor” dos termos utilizados: o jornalista Santiago Cuneo pede ao sistema de justiça que verifique a veracidade do material, se contém informação “sensível” e, sobretudo, como chegou aos meios de comunicação. Maturana afirma que o áudio é autêntico, sem uma pequena pós-produção, mas são conversas com a legitimidade permitida por “vários anos de amizade” (além de ter colocado no mercado a música “El Paqueton” em tempo recorde, referência ao apelido usado para Milei na ocasião).
O presidente ainda não expressou a sua opinião, mas a sua comitiva – já em turbulência devido ao acúmulo sem precedentes de controvérsias virtuais – alude à possibilidade de que se tratem de manobras astutas para prejudicar a imagem do governo. Ainda não se sabe quem e como ficou na posse deste material, mas se os documentos se revelarem autênticos, os meios de comunicação alertam que a atenção se deslocará para a cadeia de custódia das comunicações do presidente, ainda que privadas. Mas o cerne da reclamação de Cuneo está na alegada revelação de segredos militares: nas conversas falam também sobre o esquema de segurança que deveria acompanhar o presidente numa viagem, presumivelmente a feita a Mar-a-Lago (Flórida) para um evento da Cpac (Conferência de Acção Política Conservadora). O arquivo está nas mãos de Ariel Lijouma das figuras mais conhecidas do judiciário argentino, famoso por ter enviado a julgamento importantes políticos (incluindo Carlos Menem ou Maurício Macri), mas também pelas muitas controvérsias sobre suposto favoritismo e atrasos nos julgamentos. Milei o propôs como juiz da Suprema Corte entre 2024 e 2025, mas o Senado nunca deu luz verde.