O Ministro dos Negócios Estrangeiros disse que se os Estados Unidos atacassem o Irão, Teerão responderia atacando bases, propriedades e instalações dos EUA na região.
Se houver “verdadeira boa vontade”, o Irão está pronto para chegar a um acordo nuclear “melhor que o anterior” (Plano de Acção Conjunto Global, Jcpoa), ou seja, aquele assinado em 2015 e do qual os Estados Unidos se retiraram em 2018 durante o primeiro mandato de Donald Trump. Isto foi afirmado pelo Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchiem entrevista à emissora “Russia Today”, referindo-se às conversações realizadas em Omã na sexta-feira, 6 de fevereiro, que poderão continuar com outras rodadas. “Estou envolvido em negociações nucleares há vinte anos. Sei que é possível; podemos chegar a um acordo melhor que o anterior e podemos garantir que não haverá armas nucleares. A ausência de armas nucleares é a principal preocupação dos interessados. Podemos garanti-lo”, disse Araghchi. O ministro falou da possibilidade de um acordo “que garanta a ausência de armas nucleares e reconheça os direitos legítimos do Irão à utilização pacífica da tecnologia nuclear para a produção de energia, medicina, agricultura e outros sectores”. Neste sentido, o ministro sublinhou a necessidade de Teerão receber “garantias concretas de Washington”, lembrando que em junho, durante as últimas negociações, os EUA atacaram o Irão juntamente com Israel.
O ministro disse que se os Estados Unidos atacassem o Irão, Teerão responderia atacando bases, propriedades e instalações dos EUA na região. Araghchi garantiu que a República Islâmica se defenderá, mas espera que não seja necessário chegar a esse ponto. “Sou um diplomata. Sou uma pessoa de diálogo e de negociação. Todos me conhecem. Já o fiz antes e posso fazê-lo novamente. Não sou um homem de guerra, embora seja um combatente. O meu país e as nossas forças armadas estão totalmente preparados para qualquer eventualidade, mas a minha preferência é por uma solução diplomática”, explicou.
“O governo de Israel e em particular o primeiro-ministro Benjamim Netanyahu eles são contra a paz e a diplomacia e querem a guerra”, disse o ministro das Relações Exteriores iraniano. Referindo-se a Netanyahu, Araghchi disse: “É claro, ele não gosta da paz. Ele não gosta de diplomacia. Ele é um fomentador de guerra. Só nos últimos dois anos, atacou sete países da nossa região, sendo o último o Qatar, um país aliado dos Estados Unidos e nosso amigo no Ocidente. Portanto, ele não tem outra solução em mente que não a guerra”, disse Araghchi, acusando Israel de ter “feito o seu melhor para arrastar os Estados Unidos para a guerra com o Irão”. O ministro alertou que “se tentarem novamente esta experiência falhada, o resultado não mudará”.