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Alemanha: Merz esperado em Pequim, foco nas relações económicas e na Ucrânia

Seguindo o chefe do governo alemão está uma grande delegação de empresários alemães

O chanceler alemão Friedrich Merz parte hoje para a sua primeira visita oficial à República Popular da China, onde se encontrará com o presidente Xi Jinping. Seguindo o chefe do governo alemão está uma grande delegação de empresários alemães, confirmando a importância económica da missão. A viagem a Pequim promete ser uma das mais delicadas desde o início do mandato de Merz: durante o encontro com Xi, a chanceler terá de rediscutir as relações económicas entre os dois países tendo em conta a complexa situação geopolítica internacional. Como relata uma análise da edição europeia do portal “Politico”, por um lado Berlim pretende “preservar relações comerciais estáveis ​​com a segunda maior economia do mundo”; por outro lado, Merz é chamado a “manter uma linha consistente com os princípios europeus em matéria de direitos e segurança”, evitando ao mesmo tempo um estreitamento das relações bilaterais. O objectivo declarado da visita é fortalecer a cooperação económica e promover novos acordos comerciais entre os dois países. Na verdade, a China representa um parceiro fundamental para a indústria alemã, particularmente nos sectores industrial, automóvel e tecnológico, também à luz das relações agora tensas com o presidente dos EUA. Donald Trumpespecialmente no setor comercial.

Como salienta o semanário “Der Spiegel”, a economia alemã “ainda precisa urgentemente da China como um importante mercado de saída” e para Merz já seria uma vantagem se conseguisse “estabelecer uma boa relação de colaboração com Xi”, dado que focar nos Estados Unidos do presidente Donald Trump, “enredados num imprevisível conflito tarifário com a Europa”, não é uma opção viável. Além disso, não podemos deixar de ter em conta que em 2025 a China voltou a ser o primeiro parceiro comercial da Alemanha, com um volume de negócios total entre exportações e importações de 251,8 mil milhões de euros. Os Estados Unidos ficaram em segundo lugar, com um volume de negócios total de 240,5 mil milhões de euros. Enquanto o comércio de mercadorias com a China aumentou 2,1 por cento em comparação com o ano anterior, o comércio com os Estados Unidos diminuiu 5 por cento. Segundo analistas do Departamento Federal de Estatística (Destatis), isto se deve principalmente ao “aumento contínuo das importações da China e ao declínio simultâneo das exportações para os Estados Unidos”.

Durante as reuniões, Merz tentará iniciar uma discussão sobre o papel de Pequim no conflito entre a Rússia e a Ucrânia, enquanto o governo alemão analisa cuidadosamente as posições da liderança chinesa na perspectiva de uma possível contribuição diplomática nas negociações com a Rússia. Vice-Presidente do Bundestag e especialista em política externa do Partido Verde, Omid Nouripourdisse que a China está “ativamente envolvida no conflito” e que a chanceler “terá de abordar esta questão, bem como a situação dos direitos humanos”, sublinhando que “é fundamentalmente bom que Merz vá a Pequim neste momento”. O líder do partido de Esquerda (Die Linke) é da mesma opinião, Jan van Akenque apelou à chanceler para convencer a China a participar nas negociações entre a Ucrânia e a Rússia. “Se Xi Jinping ligar, Vladímir Putin responderá. Esta relação muito especial é um recurso, e não um fardo, nos esforços para alcançar a paz na Ucrânia: Merz deve finalmente compreender isto”, disse van Aken. A missão insere-se num contexto internacional marcado por tensões geopolíticas e poderá redefinir parcialmente o equilíbrio entre a Europa, os Estados Unidos e a China, representando um teste significativo para a política externa do novo executivo alemão, também dado o apelido atribuído a Merz pelos meios de comunicação alemães, ou seja, “o Chanceler dos Negócios Estrangeiros”.

Beatriz Marques
Beatriz Marques
Como redatora apaixonada na Rádio Miróbriga, me esforço todos os dias para contar histórias que ressoem com a nossa comunidade. Com mais de 10 anos de experiência no jornalismo, já cobri uma ampla gama de assuntos, desde questões locais até investigações aprofundadas. Meu compromisso é sempre buscar a verdade e apresentar relatos autênticos que inspirem e informem nossos ouvintes.