“Devemos apoiá-lo, porque pelo menos está a ir na direção certa”, disse o Comissário Europeu para o Clima, Wopke Hoekstra, aos jornalistas.
Foi alcançado um acordo na Cop30 em Belém, Brasil, para reforçar o apoio financeiro aos países mais vulneráveis aos efeitos das alterações climáticas, mas sem qualquer referência aos combustíveis fósseis que o alimentam. O acordo foi aprovado apesar da ausência de uma delegação oficial dos EUA. “Devemos apoiá-lo, porque pelo menos está a ir na direção certa”, disse o Comissário Europeu para o Clima aos jornalistas, Wopke Hoekstra, pouco antes de o texto ser adoptado. O Acordo de Belém lança uma iniciativa voluntária para acelerar a ação climática e permitir que os países cumpram os seus compromissos de redução de emissões. O documento também apela às nações mais ricas para triplicarem o seu financiamento para ajudar os países em desenvolvimento a adaptarem-se a um clima em rápido aquecimento até 2035. De acordo com a comunidade científica, os actuais compromissos nacionais reduziram significativamente as projecções de aquecimento global, mas continuam a ser insuficientes para manter os aumentos de temperatura abaixo do limiar crítico de 1,5 graus acima dos níveis pré-industriais.
Entretanto, os países em desenvolvimento reiteram a urgência de novos recursos para fazer face aos impactos já em curso, como a subida do nível do mar, ondas de calor mais intensas, secas, inundações e tempestades. O acordo adoptado prevê também o lançamento de um processo pelos organismos internacionais em matéria de clima para avaliar a forma de alinhar as regras do comércio internacional com os objectivos climáticos, num contexto caracterizado por crescentes barreiras comerciais que correm o risco de dificultar a difusão de tecnologias limpas. A União Europeia insistiu em incluir uma referência explícita à transição dos combustíveis fósseis no documento final, mas encontrou oposição firme do grupo de países árabes, incluindo o principal exportador de petróleo do mundo, a Arábia Saudita. O impasse foi superado após uma noite de negociações que levou a um compromisso: o tema foi excluído do texto principal e encaminhado para um documento paralelo elaborado pelo Brasil, país anfitrião da COP30.