Segundo o Presidente do Conselho Europeu, o processo de alargamento está agora a avançar “mais rapidamente do que em qualquer momento dos últimos 15 anos”
A União Europeia pretende acelerar o processo de alargamento aos Balcãs Ocidentais e reitera que o futuro da região reside “firmemente” na UE. Esta é a mensagem política central que emergiu da cimeira UE-Balcãs Ocidentais recentemente concluída definida pelo Presidente do Conselho Europeu António Costa, como “a oportunidade mais significativa do ano” para reafirmar a solidez da relação entre Bruxelas e os parceiros dos Balcãs. No seu discurso final, Costa sublinhou que o alargamento continua a ser “central” nos objetivos comuns, indicando três razões principais: a dimensão geopolítica, a económica e a credibilidade do projeto europeu. “Uma União Europeia alargada significa uma Europa mais segura, mais forte e mais pacífica”, afirmou, acrescentando que cada fase anterior do alargamento ajudou a fortalecer a prosperidade partilhada. Ao mesmo tempo, alertou que a UE deve ser capaz de cumprir as promessas feitas aos países candidatos, porque “continua a ser um projecto atraente e credível” apenas se for capaz de responder às expectativas que gera.
Segundo Costa, o processo de alargamento avança agora “mais rapidamente do que em qualquer momento dos últimos 15 anos”, uma janela de oportunidade que a União e os países candidatos são chamados a explorar. O Presidente do Conselho Europeu reiterou que a adesão continua a ser um caminho baseado no mérito e não numa competição entre Estados: “Quem avança mais rápido não deve ser travado pelos outros, mas pelo contrário deve liderar o caminho e inspirar”. Na avaliação do ano passado, Costa revisou os progressos registados nos dossiês nacionais individuais. O Montenegro, disse ele, viu o seu caminho rumo à UE “claramente acelerar”, com o encerramento de cinco capítulos de negociações apenas esta semana. A Albânia abriu todos os clusters comerciais muito rapidamente, completando a última etapa em Novembro. “O próximo ano será o momento da verdade para acelerar as reformas”, observou o Presidente do Conselho Europeu.
No que diz respeito à Macedónia do Norte, Costa saudou os passos dados na frente da conectividade regional, manifestando a esperança de “progressos concretos em 2026”. Uma mensagem acompanhada de um lembrete implícito da responsabilidade das autoridades de Skopje, que “sabem o que têm de fazer” para avançar no caminho europeu. No caso da Bósnia-Herzegovina, a referência foi à adoção da Agenda de Reformas, definida como um passo necessário para aceder ao Plano de Crescimento da UE e para explorar plenamente as oportunidades oferecidas pela integração gradual. O Kosovo também foi citado como um exemplo de evolução positiva, em particular pelas medidas tomadas para construir a confiança entre as comunidades. Neste contexto, Costa indicou as próximas eleições legislativas como um “momento crucial” para consolidar as reformas e empenhar-se construtivamente no caminho da adesão.
Para além dos aspectos técnicos das negociações, o Presidente do Conselho Europeu colocou ênfase no que definiu como uma escolha eminentemente política para os Balcãs Ocidentais: “Uma escolha entre permanecer prisioneiros do passado ou avançar para um futuro comum na União Europeia; entre a divisão e a reconciliação e a cooperação, que são os próprios pilares da UE”. Segundo Costa, só superando os legados do passado a região poderá assumir plenamente o seu papel como futura componente da União e contribuir para uma Europa “estável, próspera e unida”. A mensagem de Bruxelas é acompanhada pela consciência das dificuldades que permanecem sobre a mesa. “O caminho que temos pela frente não será fácil. Algumas reformas serão difíceis, mas valem o esforço”, declarou Costa, dizendo estar convencido do empenho dos parceiros dos Balcãs em levar a cabo as mudanças necessárias. Neste quadro, a UE pretende manter uma elevada pressão política, mas também um apoio concreto, apresentando-se como “o parceiro mais confiável” para a região. O próximo compromisso político é a cimeira UE-Balcãs Ocidentais, que se reunirá novamente no Montenegro em junho de 2026.