Prepare-se: os dias estão ficando mais longos, e não é sua impressão após o almoço de domingo! A Terra está diminuindo sua rotação e isso pode mexer com nossos relógios, GPS e até com a internet. Parece ficção científica, mas é tão real quanto aquele sono matinal na segunda-feira. Vamos entender o que está acontecendo com nosso planeta e o que isso pode mudar no nosso cotidiano.
Por que os dias têm (mesmo) 24 horas?
Tradicionalmente, um dia na Terra dura 24 horas, pois é o tempo que nosso planeta leva para dar uma volta completa em seu próprio eixo. Por isso, vemos o Sol nascer e se pôr todos os dias. No entanto, como se estivéssemos em um thriller cósmico de ficção científica, pesquisadores australianos observaram que, desde 2020, a duração dos dias está aumentando de maneira inesperada se compararmos com as precisíssimas medições dos relógios atômicos. E não, ainda não é para justificar chegar atrasado no trabalho!
Naturalmente, a velocidade de rotação da Terra já é conhecida por suas variações irregulares. Isso se deve a uma mistura de influências: movimentos internos da Terra, das massas de oceanos, do clima e até da atmosfera. Mas o atual e súbito desaceleramento continua sem explicação científica definitiva, e pode impactar nosso modo de vida hiperconectado.
Da aceleração ao freio: o que mudou?
Vamos colocar a rotação em perspectiva: há bilhões de anos, um dia terrestre tinha apenas 19 horas (sim, você dormiria menos). Ao longo de séculos, marés, principalmente causadas pela Lua, atuam como freios naturais, aumentando o tempo de rotação em alguns milissegundos por século. Porém, nos últimos 20 mil anos, a Terra vinha acelerando por conta de mudanças que ocorreram desde a última Era Glacial.
- Recuo das calotas polares deixou áreas antes cobertas de gelo “quicando” para cima, num fenômeno chamado ajuste isostático pós-glacial.
- O manto terrestre começou a se mover progressivamente em direção aos polos, o que tornou os dias um pouco mais curtos a cada século— cerca de 0,6 milissegundo a menos.
Mas, surpresa: após anos de aceleração, desde 2020 os cientistas da Universidade da Tasmânia detectaram um inexplicável freio—os dias começaram a aumentar novamente. E ninguém ainda sabe dizer o “porquê” com certeza.
Outros fatores entram no baile cósmico: mudanças no nível do mar, nas correntes oceânicas e atmosféricas, força eletromagnética entre o núcleo e o manto da Terra, chuvas, neve e até grandes terremotos. Um exemplo? O terremoto de Tohoku (2011, Japão), de magnitude 8,9, fez a Terra girar 1,8 microssegundo mais rápido (ok, quase imperceptível para nossa rotina, mas um prato cheio para os cientistas!).
O que dizem os especialistas? E o tal do segundo intercalar?
A partir dos anos 60, radiotelescópios deram aos cientistas uma régua mais precisa para medir a rotação da Terra, permitindo comparações com os relógios atômicos. Até 2020, tudo indicava que a Terra estava girando cada vez mais rápido — inclusive, o dia 29 de junho de 2022 foi o mais curto já registrado desde o início das medições atômicas, com 1,59 milissegundo a menos!
No entanto, removendo as oscilações provocadas pelas marés e outros efeitos sazonais, enxergamos uma virada sem precedentes em 50 anos: desde 2020, de dias mais curtos passamos a ter dias mais longos. Alguns atribuem o fenômeno à Oscilação de Chandler, um balanço irregular dos polos geográficos na superfície da Terra, com amplitude de 3 a 4 metros e ciclo de cerca de 430 dias. Curiosamente, desde 2017, essa oscilação parece bem reduzida, condizente com o recente desaceleramento do planeta.
- Hipótese dos australianos: os efeitos de maré a longo prazo, em combinação com outros processos periódicos, podem produzir alterações temporárias na rotação.
- A explicação mais aceita? Uma soma de causas: derretimento acelerado do gelo polar, poluição alterando ventos, grandes erupções vulcânicas e sucessivos eventos La Niña.
Tudo isso impacta nossa noção exata do tempo civil, fundamental para GPS, internet, satélites e sistemas de comunicação. Se a Terra sai do ritmo do relógio atômico, entra em cena o “segundo intercalar”, aquele ajuste que pode criar caos virtual ao redor do mundo.
Desde 1972, 27 segundos intercalados foram acrescentados, todos positivos. Mas a depender da dança do nosso planeta, a próxima correção pode ser negativa – ou seja, o relógio mundial pularia um segundo para manter o alinhamento entre tempo civil (relógios atômicos) e solar (posição real do Sol). Softwares sensíveis a temporizadores surtariam!
E para acalmar os ânimos dos engenheiros da Meta (e de outras gigantes digitais inquietas com esse drama), Leonid Zotov, da Universidade Estadual Lomonossov de Moscou, sugeriu haver 70% de chance de não precisarmos de um segundo intercalar negativo tão cedo. Respire aliviado, servidor global!
Conclusão: fique de olho no tempo, mas não se preocupe (ainda)
Por enquanto, não é preciso ajustar o despertador ou usar a desculpa do tempo mais longo para chegar atrasado. Mas saber que os dias estão mesmo mudando é um exemplo fascinante de como nosso mundo está em constante transformação — e que ciência e tecnologia precisam dançar no mesmo compasso que o planeta!