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A temperatura corporal considerada “normal” mudou: veja o que dizem os especialistas

Você continua achando que 37°C no termômetro é garantia de estar “na média” e livre de preocupações? Hora de rever seus conceitos! Segundo pesquisas recentes, pode ser que, mesmo com 37°C, você já esteja com um pezinho na febre.

O que dizem os especialistas: a temperatura está mudando!

Durante muito tempo, 37°C foi quase um número sagrado, referência absoluta para a temperatura corporal humana. No entanto, cientistas da escola de medicina da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, resolveram revisitar o assunto. Publicado no renomado periódico científico eLife, o estudo desses cinco pesquisadores analisou mais de 600 mil medições de temperatura feitas em pessoas que viviam nos Estados Unidos, entre os anos de 1862 e 2017. Ou seja, praticamente um “termômetro do tempo” ao longo de mais de 150 anos!

E os resultados são claros: a temperatura média do corpo humano está caindo cerca de 0,03°C por década. Pode parecer pouco, mas em séculos, essa diferença se acumula. Hoje, segundo os pesquisadores, a temperatura interna “padrão” do ser humano é estimada, na verdade, em cerca de 36,5°C. Com isso, quem bate 37°C já pode, tecnicamente, estar um pouquinho acima da média.

O termômetro ficou mais confiável – mas não é só isso

Se você pensou “isso deve ser culpa dos termômetros modernos”, você não está sozinho! Os próprios cientistas começaram assim: será que a aparente queda da temperatura média é só resultado da maior precisão dos aparelhos?

Mas a recorrência da redução, observada de forma consistente por décadas, fez os especialistas mudarem de opinião. Segundo eles, essa explicação, no fim das contas, é “pouco provável”. Eles acreditam que o fenômeno reflete mesmo uma mudança no corpo humano ao longo do tempo – e não apenas no aparelho que usamos para medir.

Mudanças no nosso modo de vida: o que isso tem a ver?

Julie Parsonnet, uma das autoras do estudo, conversou com o site americano Interesting Engineering e deu pistas do que pode estar por trás dessa transformação. “O ambiente em que vivemos mudou, incluindo a temperatura das nossas casas, nosso contato com micro-organismos e a alimentação à qual temos acesso.” Tudo isso, segundo ela, influencia não só como vivemos, mas aparentemente também nossa temperatura corporal. Vale lembrar que essa realidade foi observada nos Estados Unidos e pode ser mais prevalente em países ricos, não necessariamente valendo para todo o planeta.

  • Mudança na temperatura das casas;
  • Menor contato com micro-organismos;
  • Diversificação e acesso à alimentação.

Da média de 1851 à revisão dos novos tempos

Em 1851, o médico alemão Karl August Wunderlich estabeleceu aquele famoso 37°C como padrão, baseado em um estudo com 25 mil pessoas. Na época, essa marca representava o “ponto de equilíbrio fisiológico”. Já 38°C, por sua vez, era definida como o limiar da febre.

Porém, 37°C era e sempre foi apenas uma média. Já se sabia que a temperatura corporal varia conforme diversos fatores:

  • Cada pessoa tem sua própria média;
  • Muda conforme sexo e ciclos hormonais;
  • Varia de acordo com o horário do dia;
  • Depende também do local do corpo onde é feita a medição.

Até recentemente, aceitava-se que a “temperatura normal” estivesse entre 36,1°C e 37,8°C. Mas, diante das novas evidências, a ciência pode rever esse intervalo. Ou seja, a “normalidade” também pode esfriar um pouquinho.

Conclusão: seu termômetro merece uma segunda olhada!

Se você é da turma que ficava orgulhosa ao ver 37°C, talvez agora pense diferente. Com a média corporal caindo, é hora de saber que “normal” pode receber uma nova definição. Portanto, ao notar um grau acima do habitual, não hesite em consultar um profissional de saúde. Sua saúde, afinal, é sempre o principal termômetro!

Beatriz Marques
Beatriz Marques
Como redatora apaixonada na Rádio Miróbriga, me esforço todos os dias para contar histórias que ressoem com a nossa comunidade. Com mais de 10 anos de experiência no jornalismo, já cobri uma ampla gama de assuntos, desde questões locais até investigações aprofundadas. Meu compromisso é sempre buscar a verdade e apresentar relatos autênticos que inspirem e informem nossos ouvintes.