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A Bolívia poderia rescindir contratos multimiliares assinados com a Rússia e a China para extração de lítio

A medida representaria um golpe sério para Moscou, que considera o projeto com a Bolívia estratégica para reduzir a dependência das importações de baterias de lítio da China, iguais a 60 % hoje

A Bolívia corre o risco de questionar contratos multimiliares para extração de lítio assinada com a Rússia e a China. O candidato presidencial Jorge Quirogaque chegou à votação de 19 de outubro com 26,7 % dos votos, anunciou que pretende cancelar os acordos concluídos pelo governo cessante de Luis Arce Com a subsidiária russa da Holding Russian da Rosatom de Energia Atômica, Uranium One, e com a CBC chinesa (Companhia do Grupo CATL), um valor total de aproximadamente 2 bilhões de dólares. Os acordos, assinados em 2023-2024, incluíram não apenas a extração de carbonato de lítio em Salar de Uyuni-a maior extensão salgada do mundo, mas também sua transformação industrial em baterias. A medida representaria um golpe grave para Moscou, que considera o projeto com a Bolívia estratégica para reduzir a dependência das importações de baterias de lítio da China, iguais a 60 % hoje. Embora a Rússia esteja em quinto lugar no mundo para reservas de lítio, a produção industrial interna praticamente não é nada e o início de uma planta na região de Mumansk não é esperado antes de 2031. O cancelamento dos contratos deixaria uma mosca sem alternativas concretas no médio prazo, além de marcar um acionamento de sua presença econômica e política na América Latina.

Para a Bolívia, que possui cerca de 21 milhões de toneladas de reservas e faz parte do Chile e da Argentina do “triângulo de lítio” que se concentra em até 60 % dos recursos mundiais, a parada dos acordos pode ter consequências reputacionais e legais, desencorajar investimentos futuros e privar o país das tecnologias necessárias para completar a cadeia de bateria. Ao mesmo tempo, ambos os candidatos à votação – Quiroga e o Centrist Rodrigo Paz – parecem orientados para fortalecer as relações com os Estados Unidos e a União Europeia, apesar de diferentes abordagens, marcando um potencial ponto de virada geopolítica. O presidente cessante Luis Arce já alertou que os acordos de lítio não podem sobreviver à mudança de governo. No jogo, não há apenas o futuro da cooperação com a Rússia e a China, mas a capacidade da Bolívia de se colocar como parceiro credível na corrida global para uma matéria -prima decisiva para a transição energética.

Beatriz Marques
Beatriz Marques
Como redatora apaixonada na Rádio Miróbriga, me esforço todos os dias para contar histórias que ressoem com a nossa comunidade. Com mais de 10 anos de experiência no jornalismo, já cobri uma ampla gama de assuntos, desde questões locais até investigações aprofundadas. Meu compromisso é sempre buscar a verdade e apresentar relatos autênticos que inspirem e informem nossos ouvintes.