Pouco antes da partida, chega o anúncio que choca os passageiros: parte da bagagem não poderá ser embarcada e chegará ao destino posteriormente. A razão não é um fracasso, mas uma escolha ligada à segurança de voo. O avião, que parte da ilha grega de Skiathos com destino a Nápoles, deve, de facto, tornar-se mais leve para poder descolar dentro das margens previstas.
O comandante explica a situação diretamente aos viajantes. O vídeo do seu discurso, que se tornou viral nas redes sociais, mostra alguns passageiros protestando contra a decisão de deixar as bagagens no chão. O piloto responde claramente: “Eu sou o comandante, eu decido”, reiterando que a prioridade é garantir a segurança de todas as pessoas a bordo. Ao final da explicação, começam os aplausos.
A escolha, por mais inusitada que possa parecer aos passageiros, é tecnicamente plausível. O aeroporto de Skiathos tem uma pista de aproximadamente 1.628 metros de comprimento, significativamente mais curta do que a de muitos grandes aeroportos europeus servido por Airbus A320 operando na rota.
Antes de cada descolagem a tripulação deve calcular o desempenho da aeronave tendo em conta vários factores: peso total, temperatura, comprimento da pista, condições do asfalto e sobretudo direcção e intensidade do vento.
Se as margens forem insuficientes, uma das formas de possibilitar uma decolagem segura é reduzir o peso. Nestes casos é possível intervir sobre o combustível, quando as condições de funcionamento o permitam, ou sobre a carga transportada. Daí a decisão de deixar alguma bagagem em terra e deixá-la num voo posterior.
Porque o comandante decide
Até a frase que se tornou viral tem base precisa nas regras da aviação. O comandante é o responsável final pela segurança da aeronave, das pessoas a bordo e da carga. Se os cálculos efetuados antes da descolagem indicarem que a aeronave não pode decolar nas condições esperadas, cabe-lhe então tomar as medidas necessárias.