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A administração dos EUA propõe taxas de 25 por cento sobre produtos exportados do Brasil

No entanto, numerosas categorias de produtos serão excluídas, entre elas a carne bovina, o café, as terras raras, vários metais e minerais estratégicos.

A Administração do Presidente Donald Trump anunciou uma nova proposta tarifária que poderia atingir vários produtos vindos do Brasil com uma tarifa de 25 por cento, reacendendo as tensões comerciais entre Washington e Brasília. A medida foi apresentada hoje pelo Gabinete do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) na sequência da conclusão de uma investigação conduzida ao abrigo da Secção 301 da Lei Comercial de 1974, a mesma ferramenta legislativa utilizada por Trump durante o seu primeiro mandato para impor tarifas em grande escala sobre produtos chineses. De acordo com o que foi afirmado em comunicado de imprensa do representante comercial Jamieson Greer, a investigação destacou uma série de práticas consideradas “injustas” para com empresas norte-americanas. As questões contestadas incluem comércio digital, sistemas de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e até questões relacionadas ao desmatamento ilegal. “O governo iniciou esta investigação para abordar preocupações de longa data e generalizadas sobre algumas das políticas e práticas comerciais do Brasil”, disse Greer, observando que as recentes conversações com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não levaram a uma resolução das diferenças existentes.

De acordo com o documento, numerosas categorias de produtos serão, no entanto, excluídas do possível novo imposto. Estes incluem carne bovina, café, terras raras, vários metais e minerais estratégicos, aeronaves e seus componentes, bem como petróleo bruto, derivados de petróleo, fertilizantes, produtos farmacêuticos e produtos químicos orgânicos. O USTR também esclareceu que a nova tarifa não se aplicaria a produtos já sujeitos a direitos impostos por razões de segurança nacional ao abrigo da Secção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962: as tarifas de 50 por cento sobre o aço, o alumínio e o cobre, além dos direitos de 25 por cento sobre automóveis e peças automóveis, permaneceriam em vigor. A proposta surge depois de o Supremo Tribunal dos EUA ter derrubado, em Fevereiro passado, um pacote anterior de tarifas impostas pela administração Trump. Essas medidas incluíram uma tarifa de 50% sobre muitos produtos brasileiros, incluindo 40% adicionais introduzidos em resposta aos processos judiciais iniciados no Brasil contra o ex-presidente. JairBolsonaro, aliado político histórico de Trump. A nova iniciativa representa efetivamente uma forma de substituição parcial dessas medidas, embora com motivações formalmente vinculadas às práticas comerciais brasileiras. O USTR abriu uma fase de consulta pública convidando empresas, associações e cidadãos a apresentarem comentários até 1 de julho. A audiência pública está marcada para o dia 6 de julho, enquanto o órgão terá até o dia 15 do mesmo mês para decidir sobre eventuais medidas definitivas.

A proposta poderá ter consequências significativas para as relações económicas entre os Estados Unidos e o Brasil, duas das maiores economias do Hemisfério Ocidental. Embora as principais exportações agrícolas do Brasil tenham sido em grande parte excluídas das novas medidas, a medida sinaliza um endurecimento da política comercial americana e poderá alimentar novas tensões diplomáticas com o governo de Lula. O resultado da consulta pública e a decisão final do USTR serão decisivos para compreender a real extensão da nova ofensiva comercial dos EUA e as suas possíveis repercussões no comércio internacional. Além do caso brasileiro, estão em andamento diversas investigações que poderão resultar em novas tarifas. Estas incluem investigações sobre o excesso de capacidade industrial na China e em quinze outros parceiros comerciais, violações das proibições de trabalho forçado em aproximadamente sessenta países e, mais recentemente, práticas de propriedade intelectual vietnamitas.

Beatriz Marques
Beatriz Marques
Como redatora apaixonada na Rádio Miróbriga, me esforço todos os dias para contar histórias que ressoem com a nossa comunidade. Com mais de 10 anos de experiência no jornalismo, já cobri uma ampla gama de assuntos, desde questões locais até investigações aprofundadas. Meu compromisso é sempre buscar a verdade e apresentar relatos autênticos que inspirem e informem nossos ouvintes.