“Estamos cansados de ações inúteis destinadas apenas a ganhar tempo e desviar a atenção, apenas para, em última análise, afirmar que não há maioria”, comentou Degel HaTorah
O partido ultraortodoxo israelita Degel HaTorah rejeitou uma proposta da coligação governamental que visava impedir a dissolução do Knesset, o parlamento unicameral de Israel. Isto foi relatado pelo jornal “Times of Israel”. Na terça-feira de manhã, Degel HaTorah – um dos dois partidos que compõem a coligação ultraortodoxa do Judaísmo da Torá Unida (UTJ) no Knesset – anunciou a sua intenção de dissolver o Parlamento e convocar eleições antecipadas, devido ao fracasso da coligação governamental em aprovar uma lei que estabelece a isenção do serviço militar para estudantes haredi de yeshivas (instituições educacionais judaicas tradicionais), que está em vigor de facto há décadas. O pedido também foi apoiado pela facção Agudat Yisrael da mesma UTJ. Numa aparente tentativa de controlar o processo e o momento da dissolução do Knesset, a coligação governamental apresentou posteriormente a sua própria lei para dissolver o Parlamento e convocar eleições antecipadas, que também recebeu o apoio da UTJ. No entanto, de acordo com relatos dos meios de comunicação israelitas ontem à noite, como parte do projecto de lei militar, o Secretário de Gabinete Yossi Fuchs propôs que os ultraortodoxos alargassem a aplicação da chamada “lei da continuidade”, numa aparente tentativa de impedir a dissolução do Knesset. A lei de continuidade é uma regra israelense que permite que o processo legislativo de um projeto de lei continue de uma legislatura para outra, sem ter que começar tudo de novo.
Um texto anterior da Lei de Isenção Haredi, que remonta ao governo Bennett-Lapid, foi aprovado em primeira leitura na época. A subsequente coligação governamental do primeiro-ministro Benjamim Netanyahu ele então usou a chamada “lei da continuidade” para continuar trabalhando nela na atual legislatura. Tal como proposto pelo Secretário de Gabinete Fuchs, a lei sobre a continuidade seria alterada de forma a poder ser aplicada duas vezes, permitindo assim que o trabalho legislativo continuasse durante três legislaturas consecutivas. “Estamos cansados de ações inúteis destinadas apenas a ganhar tempo e desviar a atenção e, em última análise, argumentar que não há maioria”, comentou Degel HaTorah numa nota noticiada pelo “Times of Israel”. “Comunicámos à liderança da coligação que nos opomos à alteração da lei de continuidade e que, seguindo as instruções rabínicas, estamos a tomar medidas para dissolver o Knesset o mais rapidamente possível”, sublinhou o partido. De acordo com relatos do site de notícias pró-Haredi “Emess”, enquanto Degel HaTorah rejeitou a proposta de Fuchs, o partido ultraortodoxo Shas ainda a está avaliando.