O presidente espanhol participa no segundo dia de trabalhos do Conselho Europeu em curso em Chipre
“A crise causada no Médio Oriente por esta guerra ilegal apenas demonstra o fracasso da força bruta e a necessidade de respeitar o direito internacional e a ordem multilateral, para salvaguardá-la e fortalecê-la.” O presidente do governo espanhol disse isto, Pedro Sanchesà sua chegada ao segundo dia de trabalhos do Conselho Europeu em curso em Chipre. “A lei do mais forte acaba por tornar o mundo muito mais fraco”, continuou ele. “Isto leva ao sofrimento, à perda de milhares de vidas humanas, a centenas de milhares de pessoas deslocadas, por exemplo no Líbano”, acrescentou o líder espanhol. Sanchez apontou então para as consequências económicas do conflito no Médio Oriente, com famílias e empresas a incorrerem em custos elevados.
“Só para termos uma ideia da dimensão, do impacto económico que estamos a sentir, desde o início da guerra, na Europa, o custo aumentou 24 mil milhões de euros, ou 500 milhões de euros por dia”, explicou. “Portanto, deste ponto de vista, acredito que a medida, como o governo espanhol sempre apoiou, que seja menos onerosa e capaz de salvar mais vidas é pôr fim a esta guerra o mais rapidamente possível. E é por isso que apelamos às partes para que se sentem à mesa, dialogem e cheguem a um acordo o mais rapidamente possível”, sublinhou.
Para enfrentar a crise energética, Espanha continua a apoiar a mesma linha: eletrificação e abandono dos combustíveis fósseis para alcançar a autonomia energética. Tendo isto em mente, o governo espanhol pediu à Comissão “maior ambição” na resposta conjunta da União Europeia, disse o presidente espanhol. “Há empresas que beneficiam atualmente do aumento do preço do petróleo bruto. Por isso, devemos tomar medidas coordenadas para reintroduzir, como fizemos durante a crise energética russa, um imposto sobre as grandes empresas energéticas, um imposto extraordinário que nos permita financiar parte das respostas para proteger os cidadãos, as empresas e as indústrias. Em segundo lugar, precisamos de mais recursos para continuar com a eletrificação e a transição energética verde das nossas economias”, destacou o chefe do executivo madrileno. A este respeito, Sánchez acrescentou que Espanha propõe prolongar os fundos europeus da Próxima Geração de 6 para 12 meses além do mês de junho, para ligá-los à eletrificação da economia e à transformação energética europeia. “A grande lição de todos estes choques energéticos que sofremos é precisamente esta: a necessidade de eletrificar e de continuar com aquela aposta nas energias renováveis que o novo governo espanhol vem perseguindo há oito anos”, concluiu.