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Reino Unido: Starmer sob pressão após novas revelações sobre o caso Mandelson

Olly Robbins, ex-secretário permanente do Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido, denunciou o “clima de pressão” exercido por Downing Street para acelerar a nomeação de Mandelson como embaixador nos EUA

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmerestá cada vez mais sob pressão devido aos desenvolvimentos no caso relacionado com Pedro Mandelsonex-embaixador nos Estados Unidos ligado ao financiador Jeffrey Epstein. O último capítulo de uma história que está a enfraquecer significativamente a liderança de Starmer foi hoje desenrolado na Câmara dos Comuns, com declarações feitas aos deputados por Olly Robbinsex-secretário permanente do Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido, demitido na semana passada. O responsável denunciou o “clima de pressão” exercido por Downing Street para acelerar a nomeação de Mandelson como embaixador nos EUA, apesar de ser bem conhecida a sua proximidade com Epstein, condenado por pedofilia e tráfico sexual. Perante a Comissão dos Negócios Estrangeiros, Robbins defendeu as ações do seu departamento, argumentando que o procedimento de verificação de antecedentes do candidato foi seguido “rigorosamente” e que teria sido “muito difícil” bloquear a nomeação de Mandelson, à luz da vontade política de concluir o processo rapidamente. Durante as declarações, Robbins forneceu um relato detalhado e em algumas passagens muito crítico das ações do governo, falando de um “empurrão implacável” de Downing Street para instalar Mandelson em Washington. O ex-funcionário esclareceu que a pressão não foi exercida diretamente sobre ele, mas veio através de funcionários de Downing Street, “que por sua vez tiveram que responder aos níveis mais elevados da cadeia de tomada de decisão”. Robbins revelou também que, de acordo com algumas avaliações internas, nem sequer houve necessidade de submeter inicialmente Mandelson a extensas verificações de segurança.

A questão central continua a ser o processo de “vetting”, ou seja, o exame dos antecedentes dos candidatos a um cargo: Robbins explicou ter recebido indicações verbais em que o caso Mandelson era descrito como “no limite”, razão pela qual o órgão competente se mostrou inclinado a expressar uma opinião negativa, mesmo sem ter uma posição definitiva. Depois de avaliarem os “riscos residuais”, os responsáveis ​​​​por este processo consideraram-nos “mitigáveis”, dando assim luz verde. Esta versão contrasta com a fornecida por Downing Street, segundo a qual foram relatados níveis de “elevada preocupação” que sugerem a recusa da autorização. As declarações de Robbins põem, portanto, em causa a linha defensiva adoptada até agora por Starmer, que tem afirmado repetidamente que nunca teria prosseguido com a nomeação se tivesse sido informado das observações feitas. Segundo Robbins, porém, a direção política era clara: Mandelson tinha de ser nomeado “a todo custo”. Um elemento que fortalece as acusações da oposição, com o líder conservador Kemi Badenochque novamente acusou Starmer de mentir ao Parlamento sobre o assunto.

Falando ontem na Câmara dos Comuns, Starmer reiterou que não foi informado, atacando funcionários do Ministério das Relações Exteriores. Segundo o primeiro-ministro britânico, seria “incrível” que “tais informações relevantes não fossem partilhadas com os ministros”, uma forma de transferir a responsabilidade pelo que aconteceu para aqueles que geriram o processo de “verificação” e tentar desviar a atenção de Downing Street. As palavras de Robbins, no entanto, refutaram esta versão e realçaram a confusão dentro do gabinete do primeiro-ministro, apesar de várias figuras importantes que já se demitiram na sequência das consequências do caso Mandelson. Além disso, o executivo trabalhista encontra-se num momento muito delicado e este caso representa mais um golpe para a liderança de Starmer, que já está em crise há meses. As pesquisas YouGov mostram um declínio na confiança: 43 por cento dos eleitores acreditam que o primeiro-ministro deveria deixar o cargo, em comparação com 33 por cento a favor da sua permanência. A oposição fala abertamente de uma crise de credibilidade e de incompetência, enquanto os observadores políticos sublinham como o caso Mandelson se tornou um teste decisivo para a liderança do primeiro-ministro e para a estabilidade do executivo.

Beatriz Marques
Beatriz Marques
Como redatora apaixonada na Rádio Miróbriga, me esforço todos os dias para contar histórias que ressoem com a nossa comunidade. Com mais de 10 anos de experiência no jornalismo, já cobri uma ampla gama de assuntos, desde questões locais até investigações aprofundadas. Meu compromisso é sempre buscar a verdade e apresentar relatos autênticos que inspirem e informem nossos ouvintes.