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Água engarrafada ou da torneira em Portugal: o que é melhor escolher?

O debate sobre qual a melhor opção entre a água engarrafada e a da rede pública é uma questão central para quem vive ou se muda para a Península Ibérica. A “Clínica da Sustentabilidade”, iniciativa promovida por Joana Guerra Tadeu, conhecida activista pela justiça climática e autora do livro “Ambientalista Imperfeita”, convida a uma reflexão profunda sobre este tema. Embora a opinião comum prefira muitas vezes opções embaladas, analisar a real qualidade da água da torneira em Portugal permite-nos dissipar muitos equívocos e fazer escolhas mais informadas, económicas e sustentáveis.

A percepção e a real qualidade da água da torneira em Portugal

A ideia de que a água engarrafada é intrinsecamente mais segura do que a água doméstica é um preconceito muito difundido, mas que raramente encontra confirmação efectiva na realidade. A nível institucional, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Comissão Europeia confirmam regularmente que a água pública é completamente segura para consumo diário na grande maioria das regiões europeias. No território português, os controlos são particularmente rigorosos. A rede pública é, de facto, sujeita a testes constantes para garantir o cumprimento rigoroso das normas impostas pela legislação europeia sobre água potável. Como resultado, em quase todos os casos, a água que corre para os nossos lavatórios é perfeitamente segura e é, ironicamente, testada com muito mais frequência do que a sua equivalente engarrafada.

Dados oficiais: excelência na qualidade da água canalizada em Portugal

Em apoio destas declarações, os números oficiais fornecidos peloERSAR (Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos). De acordo com as últimas conclusões do organismo, o indicador nacional da “Água Segura” situou-se nos 98,86%. Este é o décimo ano consecutivo em que o país mantém níveis de excelência próximos dos 99%, feito validado por mais de seiscentas mil análises realizadas anualmente em laboratórios acreditados. Estudos comparativos confirmam também que, de norte a sul do país, a qualidade microbiológica dos fornecimentos minerais nacionais e engarrafados é efectivamente equivalente. Do ponto de vista puramente clínico e de saúde, não existem evidências científicas que justifiquem a superioridade de um produto sobre outro.

Marketing e desconfiança na qualidade da água canalizada em Portugal

Se os dados de saúde e higiene são inequívocos, porque é que muitos consumidores continuam a comprar água mineral? A resposta está em dois fatores determinantes: sabor e percepção de risco. O sabor da água pública pode variar significativamente de região para região. Esta diferença deve-se muitas vezes à concentração de cloro, elemento essencial para a desinfecção e para garantir segurança bacteriológica absoluta ao utilizador final. Além disso, o estado do encanamento da sua casa, principalmente em edifícios mais antigos ou históricos, pode alterar o sabor antes que o líquido chegue ao vidro. Por outro lado, durante décadas as campanhas de marketing construíram uma aura de extrema pureza em torno da água mineral. Pelo contrário, as infra-estruturas hídricas ainda sofrem de uma certa desconfiança ligada ao passado, embora completamente ultrapassada pelos padrões actuais.

O impacto ambiental das garrafas e alternativas práticas

Enquanto na frente da saúde a diferença é principalmente psicológica ou ligada à palatabilidade, na frente ambiental e económica a lacuna é enorme. A produção, o transporte e a eliminação de plástico descartável envolvem um enorme consumo de energia, elevadas emissões de gases com efeito de estufa e uma produção massiva de resíduos. Os custos económicos são implacáveis: a água no supermercado pode custar centenas de vezes mais do que a fornecida em casa. Além disso, investigações recentes destacaram a presença de microplásticos dentro de diversas águas embaladas, liberadas do próprio recipiente.

Para quem não gosta do gosto residual do cloro ou vive em áreas com água particularmente dura, as soluções são simples. Basta deixar a água repousar em uma jarra por alguns minutos para que o cloro se dissipe, colocá-la na geladeira para melhorar seu sabor ou contar com modernos filtros domésticos certificados ou jarras com filtro. Pequenos cuidados diários que salvaguardam a sua carteira e, acima de tudo, o ambiente.

Beatriz Marques
Beatriz Marques
Como redatora apaixonada na Rádio Miróbriga, me esforço todos os dias para contar histórias que ressoem com a nossa comunidade. Com mais de 10 anos de experiência no jornalismo, já cobri uma ampla gama de assuntos, desde questões locais até investigações aprofundadas. Meu compromisso é sempre buscar a verdade e apresentar relatos autênticos que inspirem e informem nossos ouvintes.