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Itália-Japão, embaixador Vattani: “Parceria estratégica especial e visão comum sobre os desafios globais”

Segundo Vattani, a ligação com Tóquio sempre foi caracterizada pela profunda cooperação económica e pela presença mútua de investimentos e negócios

Segundo Vattani, a ligação com Tóquio sempre se caracterizou pela profunda cooperação económica e pela presença mútua de investimentos e negócios. Contudo, nos últimos anos houve um salto de qualidade, favorecido tanto por um contexto internacional em evolução como por uma forte harmonia política entre as lideranças. “Houve verdadeiramente um impulso, uma elevação da nossa relação”, observa, sublinhando também a importância da dimensão pessoal nas relações diplomáticas: “A diplomacia é feita pelas pessoas”, lembra o embaixador. Um sinal tangível deste fortalecimento foi o sucesso italiano na Osaka Expo, onde – explica Vattani – “foram os japoneses que fizeram do nosso pavilhão um sucesso”, graças ao interesse da mídia e ao carinho do público. Um entusiasmo que, na sua opinião, reflecte um vínculo profundo entre os dois países: “Há uma verdadeira amizade na qual devemos investir”.

Se a Itália é tradicionalmente apreciada no Japão pelo Made in Italy, pelo luxo e pelo agroalimentar, hoje o desafio é ir mais longe. Na verdade, o embaixador destaca a necessidade de reforçar a cooperação industrial e tecnológica, identificando sectores-chave como robótica, semicondutores, automóvel, aeroespacial, energia limpa, ciências da vida, farmacêutica e química. Áreas que representam, explica, uma “bússola” partilhada e coerente em todos os principais instrumentos de cooperação bilateral. No centro desta nova fase está também o tema da segurança económica, já uma prioridade no diálogo entre Roma e Tóquio, mesmo antes das mais recentes crises internacionais. As cadeias de valor e de abastecimento, observa Vattani, estão cada vez mais expostas a choques geopolíticos, como demonstrado pela guerra na Ucrânia. Neste contexto, torna-se essencial fortalecer os laços entre países que partilham os mesmos princípios: “Quando há turbulência, é preciso apertar os cintos”.

A Itália e o Japão, continua ele, “falam a mesma língua” quando se trata de defender uma ordem internacional baseada em regras. Uma convergência que também se estende à segurança num sentido mais amplo, incluindo não só a defesa, mas também a resiliência económica, o acesso às matérias-primas e a estabilidade das cadeias de produção. É também atribuído um papel crescente ao diálogo entre os setores público e privado, bem como à contribuição dos grupos de reflexão. Neste contexto, Vattani recorda a importância do Grupo Empresarial Itália-Japão, um fórum ativo desde a década de 1980, que representa hoje uma plataforma fundamental para a integração das dimensões industriais e da reflexão estratégica.

Olhando para o panorama global, o embaixador destaca também a crescente interligação entre o Mediterrâneo e o Indo-Pacífico. A Itália, sublinha, não é apenas um actor europeu, mas também mediterrânico, enquanto o Japão é um actor-chave na Ásia: dois contextos diferentes, mas cada vez mais interligados, que exigem uma coordenação mais estreita. Nesta perspectiva, inclui-se também a atenção para África, apontada como uma das novas áreas de cooperação. Vattani acredita que a Itália pode representar um parceiro natural do Japão no continente: “Se há um parceiro com o qual o Japão possa contar para uma política em relação a África, este é certamente a Itália”.

Ao mesmo tempo, destaca o valor da abordagem japonesa aos investimentos, definida como “não predatória” e atenta à sustentabilidade e ao respeito pelas realidades locais. Uma característica que faz de Tóquio um aliado particularmente valioso também em projetos conjuntos em mercados emergentes. Contudo, a construção de uma cooperação estruturada em África exigirá tempo e maior coordenação, inclusive em contextos multilaterais. “Precisamos nos ver mais, conversar mais”, diz Vattani, sublinhando a necessidade de desenvolver o hábito de trabalhar em conjunto, superando diferenças culturais e operacionais. Apesar dos desafios, o ponto de partida é sólido. Após mais de 160 anos de relações diplomáticas, a Itália e o Japão podem contar com um legado de confiança e de harmonia que hoje também se reflete nas relações entre as lideranças. Um elemento que, conclui o embaixador, representa uma oportunidade a ser plenamente aproveitada: “Quando acontece, é preciso aproveitar”.

Beatriz Marques
Beatriz Marques
Como redatora apaixonada na Rádio Miróbriga, me esforço todos os dias para contar histórias que ressoem com a nossa comunidade. Com mais de 10 anos de experiência no jornalismo, já cobri uma ampla gama de assuntos, desde questões locais até investigações aprofundadas. Meu compromisso é sempre buscar a verdade e apresentar relatos autênticos que inspirem e informem nossos ouvintes.