“É hora de rever os números.” Giuseppe Valditara tinha assim rejeitado, em entrevista ao Repubblica, a estimativa da CGIL segundo a qual o novo ano letivo começaria também com cerca de 200 mil trabalhadores temporários. O sindicato Flc Cgil responde com os números: “Aceitamos o convite e verificamos nós próprios, com meios próprios, já que há mais de um ano o Ministério não publica os dados como seria seu dever legal”.
Quantos trabalhadores precários realmente existem nas escolas italianas
A nota da Flc Cgil quantifica os trabalhadores temporários em 2025/26 em 302 mil, incluindo professores e funcionários da ATA. Um número que não se confunde com o dos contratos já activos no início do novo ano: para 2026/27 a CGIL estima cerca de 200 mil contratos a termo, especificando que esta é ainda uma contagem parcial e destinada a aumentar com as nomeações subsequentes. Além disso, trata-se de “uma estimativa subestimada e parcial, destinada a crescer ao longo do caminho”, afirma o sindicato.
Porém, é sobretudo a composição da mão de obra precária que preocupa o sindicato. Segundo a elaboração do Flc Cgil, entre 2021/22 e 2025/26 o número global de suplentes teria aumentado 12,7%, mas no mesmo período as chamadas posições de apoio em derrogação passaram de cerca de 65 mil para 145 mil.
Em 2021/22 representavam 29% dos professores substitutos, quatro anos depois chegaram a 60%. Na prática, segundo o sindicato, seis em cada dez professores substitutos atuam atualmente em cargos excepcionais de apoio. Os substitutos da ATA aumentam 39,5% numa força de trabalho que entretanto permaneceu estagnada: 219.000 em 2021/22, em comparação com 218.000 em 2025/26.
O que dizem os números oficiais: em 2024/25 foram 293.245
Para apoiar a sua reconstrução, o Flc Cgil recorda primeiro os dados do portal escolar único do Ministério relativos a 2024/25, último ano para o qual os números consolidados são fornecidos na nota. O total é de 293.245 professores substitutos.
| PROFESSORES | ||
| Lugar comum | 97.118 |
Total 236.782 |
| Apoiar | 139.664 | |
| Anual | 44.417 | |
| Até o final das atividades | 192365 |
| Pessoal da ATA | ||
| Anual | 17.781 | Total 56.463 |
| Até o final das atividades | 38.682 |
Entre os professores foram 236.782: 97.118 em cargos comuns e 139.664 em apoios. Destes, 44.417 tinham contrato anual, enquanto 192.365 trabalhavam até o final da atividade docente. A estes somaram-se 56.463 trabalhadores contratados pela ATA: 17.781 com reposição anual e 38.682 com contrato até o final das atividades.
Valditara: “Serão contratadas 206 mil pessoas a partir de 2023”
O ministério apresenta um quadro diferente, focado sobretudo nas estabilizações realizadas. Na entrevista ao Repubblica, quando questionado se a escola iria reiniciar com 200 mil trabalhadores temporários apoiados pela CGIL, Valditara respondeu: “Ele diz isso todos os anos, é hora de rever os números”, acrescentando que 206 mil pessoas entre professores e funcionários da ATA foram contratadas desde 2023 e anunciando novas estabilizações.
Para o início do ano letivo de 2026/27, o ministério anunciou 37.430 novas nomeações como professores, em comparação com as 29.685 feitas na mesma data um ano antes. Além disso, quase todos os cerca de 118 mil cargos substitutos estão cobertos. A pedido das famílias, foram confirmados no apoio 55.814 professores substitutos que já trabalham com os mesmos alunos, quase mais 10 mil que no ano anterior.
A condenação da Itália aos trabalhadores precários da ATA
No ataque ao ministro, a FLC CGIL recorda também o acórdão do Tribunal de Justiça da União Europeia de 13 de maio de 2026, no processo C-155/25, Comissão contra Itália. O Tribunal decidiu que o sistema italiano de contratação de pessoal administrativo, técnico e auxiliar das escolas públicas “viola o direito da União” porque não prevê medidas adequadas para prevenir e sancionar a utilização abusiva de uma sucessão de contratos a termo para preencher cargos vagos.
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“O Ministro, em vez de falar das nomeações feitas durante o seu mandato – e Deus me livre se não o tivesse feito! – tem o dever de responder a estas questões – pergunta Flc Cgil – porque é que a escola tem de ser sustentada por centenas de milhares de trabalhadores precários? vagas que se tornam crônicas de ano para ano?”.
Os dados da Contabilidade do Estado: “O ministro deveria negar, se puder”
Para sustentar a sua posição, a Flc Cgil remete por último para as contas anuais da Contabilidade Geral do Estado relativas a 2024, o inquérito oficial do Ministério da Economia ao pessoal da administração pública.
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De acordo com o cálculo indicado pelo sindicato, no setor da Educação e Investigação existiam 314.844 unidades a termo por ano e 347.977 unidades atribuíveis globalmente ao trabalho flexível. A CGIL cita ainda um rácio de 33,9% entre trabalho flexível e pessoal permanente nas escolas, muito superior ao registado nas funções centrais e locais. E agora a Flc Cgil relança diretamente o desafio ao ministro: “O ministro deveria negar estes números, se puder. São dados do Ministério da Economia e Finanças, não da Flc Cgil”.
A resposta do Ministério da Educação
“Com referência à notícia divulgada pela CGIL, segundo a qual estão presentes no total cerca de 302 mil docentes temporários e funcionários da ATA, o Ministério da Educação e Mérito considera necessário fornecer alguns elementos de clareza sobre os dados relativos ao pessoal docente substituto para o ano letivo 2026/2027. 8.319 com contratos até 31 de agosto e 23.423 com contratos até 30 de junho. Por outro lado, foram atribuídas 67.516 substituições, das quais 1.328 até 31 de agosto e 66.188 até 30 de junho. 155.072 cargos com prazo determinado Ao final da nomeação de docentes, 9.356 cargos foram considerados intransferíveis por ausência de candidatos nos rankings. Somam-se a esses dados 19.468 nomeações por parcelas de cargos, que constituem uma modalidade de cargo distinta dos substitutos para cargos efetivos.
“É também necessário considerar a natureza dos diferentes tipos de substitutos. Os substitutos em cargos comuns com contrato a partir de 30 de Junho são, de facto, em grande medida, determinados pelo estado do corpo docente e são, portanto, incompressíveis. Da mesma forma – prossegue a nota – uma parte significativa dos substitutos de apoio
O dia 30 de junho decorre da criação de cargos excecionais, que, como se sabe, não podem ser atribuídos de forma permanente. O Ministério continuará a prosseguir o objetivo da máxima estabilização possível do pessoal escolar, através de procedimentos de recrutamento e de nomeações, garantindo ao mesmo tempo o regular início do ano letivo e a continuidade do ensino, no respeito pelas especificidades e condicionalismos estabelecidos pela regulamentação”.