“A Síria já não representa uma ameaça para os Estados Unidos, mas tornou-se um aliado geopolítico”
A visita do presidente sírio,Ahmed al Sharaana Casa Branca e na sua reunião com o seu homólogo norte-americano, Donald Trump, representam um novo começo para as relações estratégicas com os Estados Unidos. Foi o que declarou o próprio Al Sharaa numa entrevista à emissora “Fox News”, explicando que a Síria já não representa uma ameaça para os Estados Unidos, mas tornou-se um aliado geopolítico.
“Depois da queda do regime anterior (do ex-presidente Bashar al-Assad), a Síria entrou numa nova fase, especialmente nas suas relações com os Estados Unidos”, disse o presidente. “Durante a reunião com Trump, discutimos o presente e o futuro e abordamos futuras oportunidades de investimento na Síria, para que esta não seja mais vista como uma ameaça à segurança, mas sim como um aliado geopolítico e como um lugar onde os Estados Unidos podem investir significativamente, especialmente no domínio da extracção de gás”, disse Al Sharaa.
“Durante a reunião com Trump – continuou Al Sharaa – também discutimos o levantamento das sanções e o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou uma resolução para levantar as sanções contra mim e também para outras pessoas”. O chefe de Estado também falou sobre a questão da adesão da Síria à coligação internacional contra o grupo Estado Islâmico (EI), dizendo: “Participámos em muitas batalhas contra o EI ao longo de dez anos e sofremos muito durante essas batalhas, perdendo um grande número de homens. Há razões para a presença militar dos EUA na Síria, mas esta presença deve agora ser coordenada com o governo sírio. Portanto, devemos discutir estas questões e chegar a um acordo sobre o EI”.
Al Sharaa explicou também que a situação da Síria é diferente da dos países árabes que aderiram aos Acordos de Abraham para a normalização das relações com Israel, uma vez que Damasco partilha fronteira com o Estado judeu, que ocupa as Colinas de Golã desde 1967. No entanto, acrescentou o presidente, “talvez a administração Trump nos ajude a chegar a um acordo de segurança com Israel ou a regressar ao acordo de 1974”.