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Odemira e Aljezur contra posição da Associação de Beneficiários do Mira em cortar a água aos pequenos consumidores

Por a 17 de Junho, 2021

Os municípios de Odemira e Aljezur refutaram hoje a decisão da Associação de Beneficiários do Mira (ABM) em cortar a água aos pequenos consumidores da região e exigiram que esta posição seja revista, para “minimizar os efeitos” e “sem privar os atuais utilizadores no acesso à água”.  

Vista da Barragem de Santa Clara

Em comunicado, as câmaras municipais denunciaram que estes consumidores, “denominados precários”, com “autorização para consumo de água”, no canal do Mira, “começaram a ser notificados” pela associação de Beneficiários do Mira.

“Numa curta carta, a Associação de Beneficiários do Mira (ABM), informa que os “níveis críticos” de água na Barragem de Santa Clara, limitam “o fornecimento de água às áreas beneficiadas em 3.500 m3 por hectare inscrito e impossibilita o fornecimento de água para rega ou outras utilizações a titulo precário”.

Com isto, referem, a ABM “não poderá continuar a fornecer água a estes consumidores, que se vêem agora confrontados com um sério problema, pois muitos deles não dispõem de alternativa”.

“Assim, centenas de pequenos consumidores nos concelhos de Aljezur e de Odemira, na maioria pequenos empresários, estão a ser contatados, pela ABM, para lhes cortarem o acesso à água do canal do Mira, estando negócios em risco, pequenas hortas em risco, criação de animais em risco, numa situação de profunda injustiça, para quem durante anos usufruiu deste bem essencial, pagando a respetiva fatura”, denunciam.

No entender das autarquias, o corte no fornecimento de água a estes consumidores torna-se “mais injusta e injustificada, pois uma parte substancial da água captada na Barragem de Santa Clara acaba por ser lançada ao mar em diversos pontos dos concelhos de Aljezur e Odemira, nos terminais do canal do Mira”.

No comunicado, os dois municípios, aludem para uma reunião, em finais de maio, que juntou os presidentes das Câmaras de Aljezur e de Odemira com o ministro do Ambiente, o vice- presidente da APA [Agência Portuguesa do Ambiente] e os diretores regionais da APA do Algarve e do Alentejo.

No encontro, os autarcas alertaram para a “necessária garantia de soluções de abastecimento” da barragem de Santa Clara “a partir de novo sistema de bombagem e garantia do seu financiamento, a urgência de um Plano de gestão e resiliência, investimentos no reforço de otimização e redução de perdas na rede de distribuição”.

Exigiram igualmente “medidas de gestão de crise, justas e equilibradas para todos os utilizadores da água de Santa Clara e não apenas para alguns”.

Além de manifestarem preocupação perante a atual situação, os autarcas, exigem que “seja revista esta posição encontrando uma solução equilibrada e justa, por forma a minimizar os efeitos da necessária poupança, mas sem privar ninguém dos atuais utilizadores no acesso à água com origem em Santa Clara”.


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