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O sonho de Duarte: aos 15 anos capta a alma de Moçambique e cria peças imaginativas de moda jovem

Há momentos que mudam a vida, momentos em que o olhar de um adolescente deixa de ser apenas o de um turista para se tornar o de um sonhador. Para Duarte Silva, esse momento surgiu durante uma viagem a Moçambique, quando tinha apenas 15 anos. Entre as cores vibrantes e a poeira dos mercados de Maputo, o seu coração ficou impressionado com a capulanoaqueles tecidos africanos carregados de história que as mulheres usam com uma dignidade ancestral, muitas vezes usando-os para manter os filhos perto de si. Nesse vínculo físico e simbólico, Duarte Silva viu um tesouro para proteger e contar, dando vida ao projeto Capubag.

A pulsação de África no coração do jovem fundador de Capubag

De volta a Portugal, aquele rapaz de 15 anos não deixou as memórias desaparecerem. A faísca criativa surgiu entre as carteiras escolares, durante uma hora de tecnologia: quando solicitado a desenhar sacos ecológicos, Duarte não respondeu com um simples desenho técnico, mas com uma explosão de cultura. Imaginou-se a costurar o design limpo do norte de Portugal e a alma calorosa de Moçambique. Ele deu vida ao que só um adolescente poderia imaginar.

Não foi apenas um trabalho de aula, foi o início de uma aventura, como ele gosta de chamar. Enquanto os seus pares se perdiam nos passatempos típicos da adolescência, Duarte passava horas a pesquisar esses tecidos, descobrindo que serviam para celebrar a vida e homenagear os mortos. Cada textura tinha um significado, cada cor uma emoção. Deu vida à profunda necessidade de trazer essas cores para a vida cotidiana.

Capubag: um ato de amor entre família e raízes

O sonho de Duarte foi encontrar uma casa na fábrica da família em Lordelo, Paredes, norte do Porto. Aqui, o tio disponibilizou um espaço onde o sobrinho pudesse dar forma às suas visões. Um laboratório de moda onde cada detalhe é cuidado com a paciência de quem ama o que faz. A produção de cada peça é limitada, quase intimista, reflectindo a vontade de Duarte em manter a autenticidade e exclusividade de um produto que vem do coração.

A escolha de importar tecidos directamente de um pequeno fornecedor de Maputo não é uma estratégia comercial, mas sim uma promessa cumprida. É assim que este rapaz, hoje com dezoito anos, continua a homenagear as mulheres que viu no mercado três anos antes. Cada bolsa, cada camisa é uma homenagem à cultura moçambicana que o acolheu e inspirou. O comprometimento de Duarte é percebido na escolha de valorizar o artesanato local e transformar a matéria-prima em uma obra que fala de respeito e admiração.

E então vem a evolução para Ekamiza

Alguns jovens usam camisas Ekamiza desenhadas por Duarte Silva.

O sucesso não demorou a chegar, mas para Duarte a maior satisfação não são os números, mas sim ver as suas ideias ganharem vida nas ruas. As “Ekamiza”, as suas icónicas camisas inteiramente feitas de capulana, tornaram-se o símbolo desta fusão cultural. Usar um Ekamiza é envolver-se numa história feita de padrões geométricos e cores que parecem roubadas do sol africano. Os lenços “Nleso” e as bolsas de praia “Ephareya” também trazem consigo essa mesma luz, atraindo a atenção de quem procura algo mais do que um simples acessório: um pedaço de história.

Apesar dos compromissos universitários e dos desafios do crescimento de um jovem, Duarte nunca deixou de ouvir os seus clientes. Seus pedidos tornam-se estímulo para novas criações, transformando a marca em um diálogo contínuo entre criador e quem usa. É um caminho de crescimento mútuo, onde a moda se torna uma linguagem universal para expressar quem somos e de onde viemos, celebrando a beleza da diversidade.

3 anos se passaram mas a luz nos olhos do Duarte continua a mesma

Olhando para 2026, os olhos de Duarte brilham com a mesma curiosidade daquele jovem de 15 anos em Maputo. O seu objetivo não é apenas expandir-se para o mercado nacional, mas fazer com que a alma do seu projeto chegue a todos os cantos do país. E talvez um dia o encontremos em Milão, desfilando, nos orgulhando de viver na mesma terra que um jovem visionário. Já está a trabalhar em novos modelos, sonhando com uma linha de toalhas de praia que leve a energia de África às costas portuguesas.

Todos os itens podem ser adquiridos via Página do Instagram de Capubag, com uma simples mensagem privada. Os preços variam entre 8,99€ e 39,99€.

Beatriz Marques
Beatriz Marques
Como redatora apaixonada na Rádio Miróbriga, me esforço todos os dias para contar histórias que ressoem com a nossa comunidade. Com mais de 10 anos de experiência no jornalismo, já cobri uma ampla gama de assuntos, desde questões locais até investigações aprofundadas. Meu compromisso é sempre buscar a verdade e apresentar relatos autênticos que inspirem e informem nossos ouvintes.