A instalação de novos painéis publicitários em Lisboa125 estruturas digitais retroiluminadas por LED de grande formato, está gerando um debate acalorado. A dimensão e a localização destes sistemas têm, de facto, levantado dúvidas sobre a sua compatibilidade com a segurança rodoviária, abrindo uma discussão entre instituições, partidos políticos e associações comerciais.
A Câmara Municipal de Lisboa (CML), liderada pelo presidente da Câmara Carlos Moedas, confirmou que pediu ao Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT) um parecer sobre o impacto destes outdoors. O IMT, no entanto, esclareceu que não tem competência na matéria, sublinhando que a responsabilidade pelas estradas municipais cabe exclusivamente às autarquias locais. Ao mesmo tempo, alertou que a natureza “dinâmica e brilhante” da publicidade digital pode resultar riscos para a segurança rodoviáriaremetendo a avaliação para a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR).
O debate político sobre os novos painéis publicitários chega à Câmara de Lisboa
O tema agora é discussão política. Durante a última reunião camarária, o Partido Socialista pediu uma revisão global das instalações, com possibilidade de alteração da posição dos sistemas já colocados. O Bloco de Esquerda e o PCP também solicitaram mais esclarecimentos. Enquanto o Automóvel Clube de Portugal (ACP), nunca consultado no processo, apresentou uma providência cautelar ao Tribunal Administrativo de Lisboa para bloquear a ativação dos painéis já instalados.
Segundo a ACP, estas estruturas representam uma “distração gritante para os condutores” e um “grave risco para automobilistas e peões”. Uma opinião partilhada por vários urbanistas e associações, que sublinham o “enorme” impacto visual dos outdoors, como o colocado em frente ao estádio do Benfica, julgado “chocante” pela sua dimensão.
O jogo continua aberto
O prefeito Moedas disse se sentir “refém” das decisões herdadas da gestão anterior. Mas pediu à empresa que suspendesse novas instalações e negociasse soluções alternativas para as já instaladas. “O problema não é apenas o seu tamanho, mas o risco que representam para a segurança rodoviária”, admitiu.
O jogo continua aberto: por um lado o interesse económico ligado ao contrato de concessão, por outro a necessidade de garantir que o novos painéis publicitários em Lisboa não transforme as ruas da capital portuguesa num percurso com elevado risco visual.