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Misericórdia de Santiago do Cacém sem dinheiro para pagar vencimentos nas Unidades de Cuidados Continuados (c/áudio)

Por a 28 de Setembro, 2020

O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Santiago do Cacém confirmou hoje que a instituição não tem dinheiro para pagar os salários do mês de setembro aos funcionários das Unidades de Cuidados Continuados (UCC). As dificuldades foram conhecidas numa reunião com os trabalhadores.

“Sim, é verdade. Estive reunido hoje com os trabalhadores das Unidades de Cuidados Continuados para dar a triste noticia que não tinha dinheiro para pagar os vencimentos. Os salários da Misericórdia não são só destes trabalhadores, como é óbvio, mas a grande dificuldade financeira são os Cuidados Continuados”, avançou à rádio M24 o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Santiago do Cacém, Jorge Nunes.

 

 

Em causa estão os vencimentos de cerca de 80 trabalhadores que garantem o funcionamento das Unidades de Cuidados Continuados de média e longa duração, que funcionam no edifício do antigo Hospital Conde do Bracial, em Santiago do Cacém.

“Desde 2017 até agora o aumento que houve para as UCC foi de 0,0 3%, um valor ridículo, e os salários mínimos aumentaram 17 por cento. Em julho, as duas unidades já vão com 122 mil euros de prejuízos, quando chegarmos ao final do ano,  vamos com 250 ou 300 mil euros de prejuízos, isto é insuportável”, explicou.

 

 

O provedor, convocou uma assembleia-geral, para a próxima sexta-feira, 02 de outubro, para “pedir autorização para vender um imóvel e fazer um financiamento para arranjar dinheiro para pagar os trabalhadores”.

“Isto é insuportável, não pode ser feito à custa da venda de património e de endividamento da instituição, portanto o Estado tem de olhar por isto e se, esta situação não for resolvida, a única solução é fechar a Unidade de Cuidados Continuados porque o Estado não cumpre com o que devia. Manda aumentar o vencimento dos trabalhadores e não aumenta as suas comparticipações”, acrescentou.

 

 

A Misericórdia de Santiago do Cacém já enviou vários ofícios às entidades responsáveis, como a Administração Regional de Saúde (ARS) do Alentejo e ao Instituto de Segurança Social, a transmitir a situação que se tem vindo a agravar mas, até ao momento, não obteve respostas.

“É um serviço de excelência que temos e é um pena fechar por falta de apoios”, concluiu.


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