Informações obtidas pela emissora indicam ainda que o terceiro filho do líder supremo assumiu a gestão do gabinete do dirigente
O Líder Supremo do Irã, Aiatolá Ali Khamenei, mudou-se para um abrigo subterrâneo especial em Teerã, a capital do país, depois que oficiais militares e de segurança de alto nível avaliaram um risco aumentado de um possível ataque dos EUA. Foi o que apurou a emissora de oposição iraniana “Iran International”, com sede em Londres, segundo a qual a estrutura é descrita como um local fortificado com túneis interligados. Informações obtidas do emissor também indicam que Masoud Khamenei, o terceiro filho do líder supremo, assumiu a gestão do gabinete do líder e atualmente serve como principal canal de comunicação com os poderes executivos do governo.
Destacamento recorde de forças dos EUA no Oriente Médio, Israel avalia opções contra o Irã
O nível de destacamento militar dos EUA no Médio Oriente atingiu esta semana níveis recorde, o mais elevado desde a operação militar contra o Irão em Junho passado, de acordo com as últimas estimativas divulgadas pela Rádio das Forças Armadas Israelenses. Este reforço de campo coincide com a segunda visita a Tel Aviv do comandante do Comando Central dos EUA (Centcom), BradCooper, agendado para hoje. De acordo com relatos dos meios de comunicação israelitas, o sistema de defesa de Israel está a analisar o aumento do destacamento de forças dos EUA na região como uma possível oportunidade para um ataque militar em grande escala destinado a derrubar o regime do Irão, ou como uma ameaça militar credível destinada a pressionar Teerão para chegar a um acordo. Apesar do diálogo contínuo com os militares norte-americanos, uma fonte de segurança israelita esclareceu, nas últimas horas, que até agora “não há coordenação operacional em relação ao Irão” e permanece pouco claro como o presidente dos EUA se comportará, Donald Trump. Entretanto, um responsável iraniano disse à imprensa internacional que o Irão estava em alerta máximo, preparado para os piores cenários e trataria qualquer ataque como “guerra total”, ameaçando uma resposta militar sem precedentes.
Enquanto isso, o conselheiro sênior da Casa Branca, Jared Kushner, e o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, atualmente em Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos, para a reunião trilateral Rússia-Estados Unidos-Ucrânia. Com base no que foi divulgado ontem por altos funcionários israelenses citados pela emissora “Canal 12”, o primeiro-ministro israelense, Benjamim Netanyahu, receberá Kushner e Witkoff esta noite em Jerusalém. Durante a reunião, segundo as mesmas fontes, haverá possíveis discussões sobre o Irão, bem como um foco em Gaza, com particular ênfase nos esforços para conseguir o regresso de Ran Gvili, o último refém ainda detido na Strip.
Por sua vez, a Secretária de Estado Adjunta para Assuntos Públicos dos Estados Unidos, Mignon Houston, confirmou à emissora pan-árabe por satélite “Al Arabiya”, de propriedade saudita, que a decisão sobre a acção militar contra o Irão cabe exclusivamente a Trump, sublinhando que a actual estratégia de Washington se centra no apoio ao povo iraniano. “O presidente está preocupado em enviar uma mensagem clara ao povo iraniano: estamos com eles (…) Ele tomou medidas concretas, ainda este mês vimos a imposição de tarifas de 25 por cento sobre os países que fazem negócios com o Irão, um custo que terão de pagar para fazer negócios com os Estados Unidos (…) Também vimos sanções contra indivíduos dentro do Irão que usam recursos para oprimir o seu próprio povo”, disse Houston. “O presidente está a monitorizar a situação, estamos ao lado do povo iraniano e continuaremos a acompanhar de perto os desenvolvimentos”, explicou o vice-secretário de Estado. Ainda falando com “Al Arabiya”, o embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee, Por sua vez, ele deu a entender que Trump ainda tem dúvidas sobre se o Irão parou de executar manifestantes. Huckabee destacou então o esforço de Washington para obter provas de que as execuções cessaram, reiterando que, na ausência de tais provas, haverá um ataque.
Na noite entre quinta e sexta-feira, Trump declarou que uma “armada” norte-americana se dirige para o Médio Oriente e que os Estados Unidos estão a acompanhar de perto os acontecimentos no Irão. Falando a bordo do Air Force One, quando regressava do Fórum Económico Mundial em Davos, o presidente dos EUA disse: “Temos muitos navios a dirigirem-se nessa direcção, só por precaução. Prefiro não ver nada acontecer, mas estamos a observá-los (Irão) muito de perto.” Espera-se que o porta-aviões USS Abraham Lincoln e vários destróieres com mísseis guiados cheguem ao Oriente Médio nos próximos dias. Além disso, estão em curso novas implantações de sistemas de defesa aérea em torno das bases aéreas dos EUA e de Israel, informou o jornal britânico “The Guardian”.
Comentando os últimos desenvolvimentos o Ministro dos Negócios Estrangeiros turco Hakan Fidan, disse ontem à noite que Israel continua a procurar uma oportunidade para atacar o Irão, um desenvolvimento que poderia desestabilizar ainda mais uma região já instável. Em entrevista à rede de televisão turca “NTV”, o ministro turco disse que alguns sinais indicam que Israel mantém a intenção de lançar uma ação militar contra Teerão, apesar das potenciais consequências para a segurança regional. “Espero que encontrem um caminho diferente, mas a realidade é que Israel, em particular, está à procura de uma oportunidade para atacar o Irão”, disse Fidan.