Para o Primeiro-Ministro é necessário trabalhar na proposta dos EUA, que já oferece muitos elementos aceitáveis e garantias de segurança relevantes
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estaria pronto para rever o plano dos EUA para a paz na Ucrânia, sobre o qual os líderes europeus expressaram preocupações, especialmente sobre as limitações propostas às forças armadas ucranianas, que – observa a nota – correriam o risco de “tornar a Ucrânia vulnerável a futuros ataques”. Ela é de fato a primeira-ministra, Giorgia Meloni, anunciá-lo numa conferência no final da reunião do G20 em Joanesburgo, confirmando que teve uma conversa telefónica com Trump. O primeiro-ministro, que considera esta abertura um passo importante para o avanço das negociações, descartou então o desejo dos líderes europeus por uma proposta alternativa, enquanto decorre em Genebra uma reunião dos sherpas dos países da UE com representantes da Ucrânia e dos Estados Unidos para discutir o plano de paz.
A implementação do plano de paz de Trump para a Ucrânia teria importantes consequências geopolíticas: eis o que
Para confirmar as palavras de Meloni, o anúncio do Secretário de Estado Marco Rubio num comunicado divulgado no final da reunião com a equipa negocial ucraniana, liderada pelo conselheiro presidencial Andrii Yermak. “A equipe de negociação dos EUA está pronta para fazer algumas mudanças no plano de paz de 28 pontos para a Ucrânia depois das conversações de hoje em Genebra com a delegação de Kiev”, disse Rubio, que falou de progressos importantes. O secretário classificou as reuniões de hoje como “as mais produtivas e significativas até agora no processo de paz”.
Para Meloni, portanto, é necessário trabalhar na proposta dos EUA, que já oferece muitos elementos aceitáveis e garantias de segurança relevantes. Um caminho que, segundo o primeiro-ministro, conta com a disponibilidade de todos os atores envolvidos, exceto a Rússia, enquanto a Europa, os Estados Unidos e a Ucrânia tentam avançar unidos para uma solução credível para o conflito. Segundo Meloni, de facto, muitos dos pontos do plano dos EUA são aceitáveis e incluem garantias de segurança significativas, tornadas possíveis precisamente pelo envolvimento directo dos Estados Unidos. “Por isso, por questões de tempo e de eficácia, convém focar no texto existente e nas questões verdadeiramente decisivas”, afirmou.
E é precisamente neste sentido que é fundamental o papel da Europa que, lembrou Meloni, sempre trabalhou pela paz, apoiando a Ucrânia e construindo no terreno aquela dissuasão que hoje nos permite abrir um espaço de negociação. Por isso, o Primeiro-Ministro apelou à responsabilidade da Europa, que deve demonstrar que pode ter impacto com propostas capazes de trazer progressos concretos, contribuindo de forma unida para o objectivo de uma paz justa e duradoura.
Entre as estratégias para chegar a um cessar-fogo, Meloni reiterou a necessidade de aumentar a pressão sobre a Rússia, ainda que, sublinhou, “até à data tenha trazido disponibilidade máxima por parte da Ucrânia, disponibilidade máxima por parte da Europa, disponibilidade zero por parte da Rússia”. Na verdade, na frente russa, o primeiro-ministro reconheceu que o presidente russo Vladímir Putin não demonstra qualquer desejo de acabar com a guerra, pelo menos a curto prazo. Precisamos, portanto, de uma proposta séria “para desmascarar o bluff”. Até agora – sublinhou – todos os atores envolvidos demonstraram vontade de dar passos em frente, exceto a Rússia, que continua a ser o único país que não quer realmente avançar para a paz.