A visita faz parte de um processo de intensificação das relações militares entre Benghazi e Islamabad iniciado nos últimos meses
O Comandante Geral das Forças Armadas do Leste da Líbia, Khalifa Haftare seu vice e filho Saddam Haftar chegaram ao Paquistão para uma visita oficial, a convite das autoridades de Islamabad. O anúncio foi feito pelo Comando Geral do Exército Nacional da Líbia (ENL) em comunicado divulgado nas redes sociais. A delegação líbia foi recebida pelo Chefe do Estado-Maior do Exército do Paquistão, Marechal de Campo Asim Munire por altos líderes militares, como parte de uma cerimônia oficial. Segundo a nota, a visita insere-se no reforço das relações bilaterais e na abertura de novas perspectivas de coordenação em sectores de interesse comum, com o objectivo declarado de servir os interesses dos dois países. O comandante do exército paquistanês expressou o seu apreço pela visita de Haftar, definindo o Paquistão como uma “segunda pátria”, e sublinhou a consideração que o líder líbio desfrutaria a nível local e internacional. Por sua vez, Haftar agradeceu as boas-vindas, sublinhando o desejo de desenvolver ainda mais as relações bilaterais e expandir a cooperação em diversas áreas.
De acordo com uma nota do Gabinete Conjunto de Relações Públicas do Paquistão (ISPR), durante a reunião as partes trocaram avaliações sobre dossiês de interesse comum, com particular referência à dinâmica de segurança nas respetivas regiões e à cooperação profissional entre as forças armadas. O Comandante do Exército do Paquistão e Chefe das Forças de Defesa reiterou o compromisso de Islamabad em fortalecer as relações bilaterais e o seu apoio à estabilidade e ao desenvolvimento institucional da Líbia. A reunião, lemos no comunicado de Islamabad, decorreu num ambiente “cordial e construtivo”, testemunhando as relações amistosas entre os dois países. A declaração paquistanesa também especifica que, ao chegarem à base aérea de Noor Khan, Haftar e Saddam Haftar foram recebidos por Asim Munir e prestaram homenagem aos caídos das Forças Armadas no quartel-general em Rawalpindi, como parte do protocolo oficial de recepção.
A visita faz parte de um processo de intensificação das relações militares entre o leste da Líbia e o Paquistão iniciado nos últimos meses. Em 18 de dezembro de 2025, o Chefe do Estado-Maior do Exército do Paquistão, Asim Munir, realizou uma missão oficial a Benghazi, encontrando-se com Saddam Haftar para discutir a cooperação militar e a segurança regional. Anteriormente, em Julho de 2025, o próprio Saddam Haftar tinha feito uma visita a Islamabad, considerada por fontes líbias e paquistanesas como um primeiro passo para um fortalecimento estruturado das relações entre os dois aparelhos militares.
Neste contexto estão as revelações da agência “Reuters” que no final de Dezembro informou a existência de um acordo de cooperação militar entre o Paquistão e as forças do leste da Líbia no valor de mais de 4 mil milhões de dólares, citando fontes paquistanesas do sector da defesa. Segundo a agência, o acordo – descrito como uma das operações de exportação militar mais significativas da história do Paquistão – incluiria o fornecimento de 16 caças multifuncionais JF-17, desenvolvidos em conjunto pelo Paquistão e pela China, e 12 aeronaves de treino Super Mushshak, bem como equipamento terrestre, naval e aéreo, com entregas repartidas por aproximadamente dois anos e meio.
O gabinete de comunicação social das Forças Orientais da Líbia já tinha confirmado a assinatura de um “acordo de cooperação militar” com Islamabad, incluindo formação e colaboração no sector da produção militar, sem fornecer detalhes. No entanto, a Líbia continua formalmente sujeita a um embargo de armas da ONU em vigor desde 2011, que exige autorização prévia do Conselho de Segurança para qualquer transferência de armas. Não se sabe se foi solicitada uma isenção formal para os acordos entre o Paquistão e Benghazi.
