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Cibersegurança e inteligência artificial: a comparação entre segurança, inovação e regulação

A União Europeia pretende reforçar a sua estratégia de cibersegurança através de um plano de ação dedicado aos riscos e oportunidades da inteligência artificial. O objetivo é lidar de forma estruturada com as novas ameaças cibernéticas ligadas aos modelos de IA mais avançados, cada vez mais capazes de identificar vulnerabilidades em sistemas e automatizar ataques, mas também de oferecer ferramentas inovadoras para a proteção de redes e infraestruturas digitais.

Uma estratégia europeia

O plano insere-se no quadro regulamentar europeu em matéria de cibersegurança e inteligência artificial e visa reforçar a cooperação entre os Estados-Membros, as instituições europeias, a indústria e o mundo da investigação, com o objetivo de tornar o panorama digital europeu mais resiliente face aos desafios colocados pela evolução tecnológica.

Sobre o tema, o debate político destaca diferentes abordagens. Para o eurodeputado Nicola Zingaretti, a Europa finalmente tomou o caminho certo para recuperar o atraso acumulado na inteligência digital e artificial. “A Europa finalmente avançou”, observa, lembrando que a autonomia estratégica “não é autarquia”, mas requer investimentos adequados. “O problema é que os governos europeus não têm coragem de fornecer os recursos económicos necessários”, acrescenta.

Os riscos da regulamentação

Isabella Tovaglieri, eurodeputada da Liga, tem opinião diferente e chama a atenção para o risco de regulação excessiva. “Os riscos da inteligência artificial são muitos, mas as oportunidades também o são”, afirma, defendendo que a União Europeia se deveria limitar a definir “um quadro de direitos, valores e obrigações invioláveis”, deixando depois “a liberdade de iniciativa empresarial”. Segundo o eurodeputado, o envolvimento direto das Big Tech também será crucial para enfrentar os desafios tecnológicos e energéticos ligados ao desenvolvimento da IA.

Para Salvatore De Meo, da Forza Italia, o plano europeu representa antes uma oportunidade para reforçar a autonomia estratégica da União, fazendo da inteligência artificial “uma alavanca para a inovação”, sem perder de vista a “dignidade e a ética” e garantindo que “tais tecnologias avançadas não sejam utilizadas indevidamente por actores hostis”.

Tecnologia e dignidade

Em vez disso, surge um elemento de convergência ao nível dos valores. Tanto Zingaretti como De Meo recordam a Carta Encíclica Magnifica Humanitas do Papa Leão XIV, segundo a qual «o progresso tecnológico só adquire o seu pleno valor quando está ao serviço da pessoa humana e salvaguarda a sua dignidade». Um princípio que resume um dos principais desafios europeus: combinar inovação, segurança e proteção dos direitos fundamentais no desenvolvimento da inteligência artificial.

Beatriz Marques
Beatriz Marques
Como redatora apaixonada na Rádio Miróbriga, me esforço todos os dias para contar histórias que ressoem com a nossa comunidade. Com mais de 10 anos de experiência no jornalismo, já cobri uma ampla gama de assuntos, desde questões locais até investigações aprofundadas. Meu compromisso é sempre buscar a verdade e apresentar relatos autênticos que inspirem e informem nossos ouvintes.