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Caças italianos abatem um drone armado na Lituânia, Crosetto chega: "A nossa presença no flanco oriental foi fundamental"

Da intervenção dos Eurofighters italianos nos céus da Lituânia à guerra híbrida, passando pelos ataques cibernéticos, pela propaganda russa e pelos investimentos militares. O ministro da Defesa, Guido Crosetto, voa para o flanco oriental da NATO entre a Bulgária, a Polónia, a Lituânia e a Letónia, traçando um quadro das ameaças que, segundo o governo italiano, estão a mudar o papel das forças armadas europeias e da Aliança Atlântica.

A ação italiana, Crosetto: “Provavelmente drone russo”

O ponto de partida é o abate do drone que entrou no espaço aéreo lituano, cuja origem ainda não foi estabelecida com certeza. Para Crosetto, “muito provavelmente” as palavras do ministro da Defesa vieram da Rússia durante uma coletiva de imprensa à margem da reunião bilateral com o seu homólogo lituano, Robertas Kaunas.

“Ontem à noite, mais uma vez, os pilotos italianos intervieram e derrubaram uma ameaça que muito provavelmente vinha da Rússia – disse Crosetto aos jornalistas – demonstrando o que significa fazer parte de uma aliança, numa frente como a Oriental que nos apresenta problemas há algum tempo.

Crosetto: “Primeiro foi o policiamento aéreo, agora é a verdadeira defesa”

Para o ministro, o que aconteceu marca também uma mudança na própria natureza da presença da NATO no Flanco Oriental.

“Os compromissos mudaram nos últimos anos. Primeiro foi o Policiamento Aéreo, agora é uma verdadeira defesa, uma intervenção de defesa para este país com o abate de um drone por dois pilotos italianos, dos nossos Eurofighters, porque esta aliança é o pilar da nossa segurança, da nossa dissuasão e da nossa defesa”.

Quantos soldados italianos existem no flanco oriental da OTAN

No âmbito dos compromissos assumidos pela Itália com a NATO, para o fortalecimento da Aliança ao longo do flanco oriental da NATO, o Parlamento autorizou a presença de 2.323 soldados, 1.046 veículos terrestres e 9 aeronaves entre a Bulgária, Estónia, Letónia, Lituânia, Polónia, Roménia, Eslováquia e Hungria.

O Policiamento Aéreo do Báltico é uma missão lançada pela OTAN em 2004, após a entrada da Estónia, Letónia e Lituânia na Aliança. Dado que os três países não dispõem de capacidades nacionais suficientes para garantir de forma independente a vigilância e defesa do seu espaço aéreo, os Aliados asseguram, numa base rotativa, a presença de aviões de combate, tripulações e pessoal de apoio.

A Itália é a nação que mais contribuiu para o Policiamento Aéreo do Báltico; de facto, a partir de 2015 tem dez implantações, além de compromissos sobre os céus da Islândia, da Roménia, da Bulgária, da Polónia, da Albânia, da Eslovénia e do Montenegrino.
A força-tarefa emprega Eurofighter Typhoons (F-2000) da 36ª Ala de Gioia del Colle da Força Aérea Italiana.

O projecto de uma “Europa de defesa continental”

A missão aos países do Leste Europeu, explica Crosetto, porém, faz parte de um projeto mais amplo. O ministro pretende construir uma cooperação europeia em matéria de defesa que ultrapasse as fronteiras da União Europeia.

“É uma visita – explicou Crosetto – dentro de uma viagem planeada à Bulgária, Polónia, Lituânia e depois à Letónia para consolidar a ideia de construir uma Europa de defesa continental, não apenas a Europa dos 27. Estou convencido de que a paz se consegue através de uma capacidade de colaboração entre múltiplos países”.

“O governo lituano agradeceu-nos a nossa presença. Vim aqui hoje para agradecer aos nossos pilotos. Foi uma visita casual – explica – porque fazia parte de uma viagem planeada que me levou à Bulgária, à Polónia, à Lituânia e depois à Letónia, precisamente para consolidar a ideia de construir uma Europa continental de Defesa. Uma comunidade europeia de defesa continental que me verá envolvido em todas as capitais, não só da Europa 27, mas da Europa continental nos próximos meses, porque acredito que a garantia também está dada por todas as nações, não apenas pelas da Europa dos 27, que a paz é alcançada através de uma capacidade de colaboração no domínio da defesa entre múltiplos países”.

“Centenas de ataques cibernéticos por dia”

Outra frente em que Crosetto insiste é a da segurança informática. O ministro associa o crescimento das ameaças à necessidade de aumentar progressivamente os recursos atribuídos à defesa.

“A defesa precisa de investimentos contínuos. Nós fazemos isso: temos enfrentado centenas de ataques diários, por exemplo cibernéticos, e fazemos isso na tentativa de impedir a desinformação que é cada vez mais forte e constante. O Parlamento tem demonstrado a sua vontade de apoiar, aumentando também os recursos nos próximos anos para a defesa”.

Beatriz Marques
Beatriz Marques
Como redatora apaixonada na Rádio Miróbriga, me esforço todos os dias para contar histórias que ressoem com a nossa comunidade. Com mais de 10 anos de experiência no jornalismo, já cobri uma ampla gama de assuntos, desde questões locais até investigações aprofundadas. Meu compromisso é sempre buscar a verdade e apresentar relatos autênticos que inspirem e informem nossos ouvintes.