A Itália amplia os controles temporários nas fronteiras internas com Espanha e provoca uma reação do governo de Pedro Sanchez, com uma discussão acalorada entre os respectivos ministros das Relações Exteriores. Um novo episódio do cabo de guerra diplomático entre os dois países na sequência da crise migratória que eclodiu em Ceuta.
Porque Roma enfurece Madrid
O Ministro do Interior, Matteo Piantedosi, decidiu uma nova prorrogação após a reunião do Comitê de Análise de Imigração e Segurança de Fronteiras. Segundo o Ministério da Administração Interna, subsistem “perfis de elevado risco para a segurança interna” e um possível perigo de infiltração terrorista, ligado às consequências da crise migratória que eclodiu em Ceuta no final de julho.
A Comissão Europeia indica agora oficialmente o período de 16 de setembro a 1 de outubro de 2026 para Itália, com controlos nas fronteiras aéreas e marítimas internas com Espanha. No dia 10 de Setembro, Piantedosi também apresentou um balanço actualizado: desde a introdução da medida, foram identificadas mais de 180 mil pessoas, com 42 rejeições, nove das quais diziam respeito a cidadãos marroquinos, e oito detenções.
A resposta do governo espanhol
Madrid reagiu anunciando uma nova extensão dos controlos nos aeroportos e portos aos passageiros que chegam directamente de Itália. O Ministério do Interior espanhol sustenta que continuam a existir as circunstâncias que levaram à reintrodução dos controlos em 8 de agosto e decidiu prorrogá-los até 8 de outubro, especificando que o prazo pode ser alterado caso a situação se altere.
“É um absurdo, é inútil e é uma pena”
José Manuel Albares, Ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol
Muito mais duro foi o ministro dos Negócios Estrangeiros, José Manuel Albares, que no Senado definiu a escolha italiana como “absurda, inútil e vergonhosa”, argumentando que corre o risco de minar o espírito da cooperação europeia e falando de um ataque à dignidade dos espanhóis. Albares recordou também o princípio da solidariedade entre os Estados da UE, recordando a ajuda oferecida pela Espanha à Itália durante a crise migratória de Lampedusa de 2023.
Tajani responde à Espanha: “A Itália aplica as regras”
O Ministro das Relações Exteriores e Vice-Primeiro Ministro Antonio Tajani respondeu às acusações de Madrid à noite. “A Itália aplica as regras e tratados europeus com o único objetivo de defender a segurança das suas fronteiras e dos seus cidadãos”, escreveu Tajani, rejeitando assim a interpretação política da decisão italiana.
A Itália aplica regras e tratados europeus com o único objetivo de defender a segurança das suas fronteiras e dos seus cidadãos. A reacção do governo espanhol à decisão italiana de continuar com a suspensão de Schengen parece, portanto, descabida, inadequada…
-Antonio Tajani (@Antonio_Tajani) 15 de setembro de 2026
O vice-primeiro-ministro acusou então o governo espanhol de ter reagido de forma inadequada e excessivamente agressiva. O confronto marca um novo passo nas tensões entre Roma e Madrid que surgiram após a crise de Ceuta: já nas prorrogações anteriores Tajani tinha argumentado que a medida italiana “não tinha intenção política”, mas respondia exclusivamente a necessidades de segurança.
O que muda em termos concretos para quem viaja entre Itália e Espanha
Para turistas e trabalhadores, os voos e ferries continuam a circular normalmente e não são necessários novos vistos ou autorizações, mas o controlo fronteiriço volta a ser possível mesmo em ligações que normalmente, estando dentro do espaço Schengen, não exigem controlos sistemáticos. Qualquer pessoa que viaje deve, portanto, ter consigo um documento válido para viajar para o estrangeiro, ou seja, um bilhete de identidade ou passaporte válido; os cidadãos não pertencentes à UE também devem trazer a documentação exigida pela sua posição, como visto ou autorização de residência, quando necessário.
Em Espanha, a legislação estabelece expressamente que os controlos podem abranger todas as pessoas em voos e navios provenientes de Itália, independentemente da nacionalidade, ao mesmo tempo que prevê procedimentos proporcionados destinados a limitar os tempos de espera.
Do lado italiano, Piantedosi explicou que os controlos são realizados de forma direcionada, com base em análises de risco e informações policiais, com o objetivo de minimizar o impacto nos viajantes. Na prática, é portanto prudente chegar ao aeroporto ou porto com uma margem maior do que o normal.