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Caro combustível: governo prorroga corte do imposto especial sobre o consumo de diesel

O governo está tentando impor outro limite ao alto custo do combustível. O Conselho de Ministros aprovou o decreto-lei que prorroga a redução do imposto especial sobre o consumo de gasóleo até 5 de setembro. Segundo fontes governamentais, o custo da medida deverá rondar os 130 milhões de euros.

A prorrogação mantém em vigor o desconto aplicado nas últimas semanas, igual a cerca de 17 cêntimos por litro considerando também o efeito do IVA, pelo que entendemos.

No entanto, esta é uma nova solução temporária. O governo já tinha prorrogado até 26 de agosto a medida introduzida no final de julho, recorrendo também ao mecanismo dos chamados “impostos especiais de consumo móveis”: a maior receita do IVA produzida pelo aumento do preço internacional do petróleo é utilizada para reduzir a tributação sobre os combustíveis. O novo decreto permitirá agora manter o desconto por mais dez dias, enquanto o executivo avalia uma intervenção mais duradoura.

Diesel continua subindo apesar do desconto

A prorrogação ocorre após dias de novos aumentos na bomba, que coincidiram com o contra-êxodo do verão. No domingo, 23 de agosto, segundo dados do Ministério dos Negócios e do Made in Italy, o preço médio do gasóleo self-service na rede rodoviária atingiu os 2.130 euros por litro, face aos 2.010 euros da gasolina. Nas autoestradas a média do gasóleo subiu para 2,203 euros por litro.

O desconto fiscal, portanto, não foi suficiente para fazer o preço voltar a ficar abaixo dos dois euros. Isto não significa que a medida não tenha surtido efeitos: sem a redução do imposto especial de consumo, o gasóleo teria custado cerca de 17 cêntimos a mais. O problema é que, entretanto, a subida dos preços internacionais absorveu grande parte do benefício concedido pelo Estado.

Por trás da nova onda está ainda a crise dos mercados petrolíferos internacionais, agravada pelas tensões no Estreito de Ormuz e pelas dificuldades que afectam o abastecimento de petróleo bruto e produtos refinados. O gasóleo está a sofrer mais do que a gasolina também porque a Europa depende significativamente das importações de gasóleo e não tem capacidade de refinação suficiente para satisfazer plenamente a procura interna. Quando a oferta é reduzida ou os custos de transporte e processamento aumentam, os preços dos produtos acabados podem subir mais rapidamente do que os preços do petróleo.

O aumento não afeta apenas os motoristas. O gasóleo continua a ser o principal combustível para o transporte rodoviário, a agricultura e uma parte significativa das atividades de produção. Os aumentos correm, portanto, o risco de serem repercutidos nos custos de distribuição dos bens e, subsequentemente, nos preços pagos pelos consumidores. A prorrogação até 5 de setembro evita outro golpe no momento, mas deixa em aberto o problema do que acontecerá quando a nova intervenção expirar.

Beatriz Marques
Beatriz Marques
Como redatora apaixonada na Rádio Miróbriga, me esforço todos os dias para contar histórias que ressoem com a nossa comunidade. Com mais de 10 anos de experiência no jornalismo, já cobri uma ampla gama de assuntos, desde questões locais até investigações aprofundadas. Meu compromisso é sempre buscar a verdade e apresentar relatos autênticos que inspirem e informem nossos ouvintes.